Érico Leonan / São Paulo
Érico Leonan / São Paulo

Parado no tempo, São Paulo é azarão contra o Corinthians em Itaquera

Ídolos do passado explicam por que clube vem colecionando vexame atrás de vexame nos últimos anos

Gabriel Melloni, Gonçalo Junior e Renan Cacioli, O Estado de S. Paulo

17 de fevereiro de 2019 | 04h30

Em março de 2009, embalado pelo recém-conquistado tri brasileiro (2006 a 2008), o São Paulo lançou o projeto de "Soberano", filme que contaria a saga dos seus seis títulos nacionais. Parecia improvável àquela altura que, dez anos depois, o time enfrentaria o Corinthians neste domingo, às 19h, em Itaquera, pelo Campeonato Paulista, tão desmoralizado perante os rivais e desacreditado pela própria torcida.

A coleção de vexames, que ganhou novo capítulo na última quarta, com a eliminação precoce na Libertadores perante o modesto Talleres-ARG, em casa, somada a um jejum de taças – nessa década de crise, a exceção foi a Sul-Americana de 2012 –, fez o clube que era exemplo de profissionalismo e planejamento ficar para trás.

"O problema do São Paulo não será resolvido com a troca de treinadores. O problema é a gestão. O time era mais organizado e tinha um planejamento em suas ações", argumenta Zé Sérgio, atacante do São Paulo de 1973 a 1984 e profissional da base de 2003 a 2012. 

Após a queda na Libertadores, Raí, que como atleta foi um dos maiores ídolos do clube, mas no papel de dirigente começa a desagradar a muita gente, demitiu André Jardine, que ficou apenas 15 jogos à frente do time. A diretoria já anunciou o nome de Cuca como substituto, mas este só poderá assumir quando receber aval médico, já que se recupera de cirurgia no coração. Por enquanto, quem dirige a equipe é Vagner Mancini, coordenador de futebol.

"Nunca vi na minha vida um time contratar um treinador para começar em dois ou três meses. Será que o cara é tão bom assim que vai chegar e mudar tudo?", questiona Oscar, campeão brasileiro em 1986 e tetra estadual (1980, 1981, 1985 e 1987) pelo clube. "Podia até trocar de treinador, mas da forma que estão fazendo... Sinceramente, não entendi esta forma de trabalhar. Vi uma entrevista do médico, que disse que o Cuca só pode trabalhar daqui três, quatro meses. Então, acho que é mais para acalmar a torcida do que uma coisa que vá ser verdadeira", completa o ex-jogador.

Cuca será o quarto treinador apenas na gestão Raí, iniciada em janeiro de 2018. Desde que Muricy Ramalho, o treinador do tri brasileiro, passou pelo clube pela última vez, em abril de 2015, oito nomes já se sentaram na cadeira de técnico. Nenhum conseguiu completar 50 partidas no comando – apenas Juan Carlos Osorio e Edgardo Bauza saíram por vontade própria, os demais foram demitidos.

"Os clubes que mantêm os treinadores, que dão tempo ao trabalho, têm bons resultados. O problema é que aqui a gente não tem esta cultura. Aqui, não se faz nem contrato de três, quatro anos com o treinador. Fazem por temporada, e, se não der certo, mandam embora. Infelizmente, é assim", lamenta-se Toninho Cerezo, bicampeão do Mundial de Clubes pelo São Paulo, em 1992 e 1993.

FICHA TÉCNICA: CORINTHIANS x SÃO PAULO

CORINTHIANS: Cássio; Fagner, Manoel, Henrique e Carlos Augusto (Danilo Avelar); Ralf, Ramiro, Sornoza e Jadson; Love e Gustavo. Técnico: Fabio Carille.

SÃO PAULO: Tiago Volpi; Igor Vinicius, Arboleda, Bruno Alves (Anderson Martins) e Reinaldo; Willian Farias, Hudson (Luan) e Hernanes; Antony (Nenê), Pablo e Everton. Técnico: Vagner Mancini.

JUIZ: Lucas Canetto Bellote.

LOCAL: Arena Corinthians

HORÁRIO: 19h.

NA TV: Pay-per-view.

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