Rodolfo Buhrer/Reuters
Rodolfo Buhrer/Reuters

Paraguai confia nos 'brasiguaios' para surpreender Brasil na Copa América

País se reforça com jogadores que atuam no Campeonato Brasileiro para ser competitivo no torneio continental

Ciro Campos, enviado especial a Porto Alegre, O Estado de S. Paulo

27 de junho de 2019 | 11h00

A seleção paraguaia é a mais brasileira entre os elencos estrangeiros presentes nesta Copa América. Os adversários da equipe da casa nesta quinta-feira, em Porto Alegre, pelas quartas de final, há anos são personagens de um intercâmbio constante de futebol entre as duas nações, inclusive com o elenco atual formado por vários atletas com passagens importantes por clubes do Brasil.

Chamar parte da seleção do Paraguai de "brasiguaios" não é um exagero. O termo bastante comum em cidades da fronteira, como Foz do Iguaçu (PR) e Ponta-Porã (MS), se refere à mistura dos dois países, algo corriqueiro neste elenco comandado pelo técnico Eduardo Berizzo. Dos principais jogadores do plantel, três defendem clubes brasileiros (Gatito, Gómez e González) e dois tiveram passagens pelo Brasil, casos do lateral Piris (ex-São Paulo) e Balbuena (ex-Corinthians).

O goleiro Gatito Fernández é um exemplo dessa mescla. Desde 2014 ele está no futebol brasileiro e já defendeu times como Vitória, Figueirense e agora está no Botafogo. O pai dele, Roberto Fernández, teve trajetória parecida, ao passar na década de 1990 por Inter e Palmeiras, além de jogar pelo Paraguai na Copa de 1986 e na última Copa América disputada no Brasil, em 1989.

O zagueiro Gustavo Gómez e o atacante Derlis González defendem respectivamente Palmeiras e Santos, onde são titulares. Os dois são amigos de longa data e costumam se encontrar em São Paulo nas horas de folga. A amizade mantida no Brasil levou os dois a organizarem um jogo beneficente no Paraguai às vésperas do Natal de 2018, quando arrecadaram doações de alimentos para famílias carentes.  

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Também na defesa paraguaia, Iván Piris teve passagem rápida pelo São Paulo entre 2011 e 2012. Outro defensor do elenco tem ligações ainda mais fortes com o Brasil. Fabián Balbuena foi campeão brasileiro pelo Corinthians em 2017 e por ter nascido na fronteira, em Ciudad Del Este, aprendeu a falar português desde criança. Ainda adolescente, o atual jogador do West Ham escutava bandas brasileira como CPM22 e Charlie Brown Junior.

Apesar de nunca ter jogado no Brasil, o atacante Óscar Romero tem uma ligação forte com o País. O irmão gêmeo dele, Ángel Romero, defende o Corinthians desde 2014, e faz parte de uma lista numerosa de paraguaios em ação na Série A do Campeonato Brasileiro. Atualmente são 11 deles. Apenas Argentina e Colômbia têm mais estrangeiros inscritos.

RAÍZES PARAGUAIAS

A presença de paraguaios no futebol brasileiro começou a aumentar na década de 1980 graças a Julio Cesar Romero, o Romerito. O paraguaio campeão da Copa América pelo país em 1979 é ídolo do Fluminense e foi um dos primeiros de uma série de compatriotas a fazer sucesso no Brasil. A maior parte deles veio nos anos 1990, período de grande sucesso e ascensão da seleção paraguaia.

O zagueiro Carlos Gamarra passou por Inter, Corinthians, Flamengo e Palmeiras, onde ficou conhecido pela qualidade nos desarmes e competência na marcação. O lateral Arce, autor de belas cobranças de falta e cruzamentos, foi campeão da Libertadores por Grêmio e Palmeiras ao lado de outro compatriota, o zagueiro Rivarola. O volante Enciso teve passagem pelo Inter e ganhou o Campeonato Gaúcho de 1997.

Todos eles fizeram parte da histórica seleção paraguaia que disputou a Copa de 1998, na França. O grupo só foi eliminado pelos donos da casa na prorrogação. Por coincidência, o treinador simbolizava também a ligação entre Brasil e Paraguai: era o gaúcho Paulo Cesar Carpegiani.

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