Paraguai empata com a Nova Zelândia e garante o topo

Paraguai e Nova Zelândia fizeram nesta quinta-feira uma das partidas mais decepcionantes da Copa do Mundo, no Estádio Peter Mokaba, em Polokwane. Burocráticos, criaram pouco e apenas empataram por 0 a 0, resultado que garantiu o Paraguai na liderança do Grupo F e eliminou a Nova Zelândia. A outra seleção classificada foi a Eslováquia.

ITAMAR CARDIN, Agência Estado

24 de junho de 2010 | 13h07

Após o empate, o Paraguai chegou aos cinco pontos e terminou com um na frente da Eslováquia, que derrotou a Itália também nesta quinta-feira, por 3 a 2. A Nova Zelândia encerrou sua participação com três empates, enquanto os italianos somaram apenas dois pontos, na última colocação da chave.

Eliminado na primeira fase do Mundial em 2006, após perder para Suécia e Inglaterra, o Paraguai voltou a se garantir nas oitavas de final de uma Copa do Mundo. Pela primeira vez, no entanto, avançou como líder da chave. A boa campanha credencia os sul-americanos a obterem um feito inédito: chegar às quartas pela primeira vez em sua história. Agora, os paraguaios esperam pela definição do segundo colocado do Grupo E.

A Nova Zelândia, por sua vez, também tem razões para comemorar mesmo se despedindo deste Mundial. Fez campanha consideravelmente mais honrosa do que em sua única participação anterior, em 1982, quando perdeu três partidas - para Brasil, Escócia e União Soviética -, sofreu 12 gols e marcou apenas dois.

Na partida realizada em Polokwane, o técnico Ricki Herbert repetiu a escalação utilizada no empate com a Itália. Mas o Paraguai, com a classificação praticamente assegurada, fez três mudanças. Entraram Caniza, Julio Cesar Cáceres e Cardozo respectivamente nos lugares de Bonet, Alcaraz e Lucas Barrios. A entrada do lateral-direito Caniza, aliás, marcou um momento histórico: ele tornou-se o primeiro paraguaio a disputar quatro Mundiais diferentes.

A Nova Zelândia precisava da vitória para se classificar, mas em nenhum momento atacou com eficiência. O Paraguai, por sua vez, ainda criou algumas poucas oportunidades no segundo tempo, mas parecia satisfeito com o resultado. O jogo, assim, ficou preso no meio-de-campo, em um dos confrontos mais fracos da Copa do Mundo.

O JOGO - Necessitando apenas do empate para se classificar, o Paraguai iniciou em ritmo lento, tocando a bola com paciência, sem muito se preocupar em atacar. Embora buscasse mais o gol, a Nova Zelândia pecava na falta de criatividade do meio-campo. A movimentação dos homens de frente também era pequena, facilitando a marcação paraguaia. Os neozelandeses, assim, apelavam para os cruzamentos.

Aos 10 minutos, Victor Cáceres cometeu falta no meio-de-campo e recebeu seu segundo cartão amarelo no Mundial - está fora de um possível jogo de oitavas de final. Na cobrança, Killen cruzou, a bola atravessou a área e saiu pela linha de fundo sem que ninguém desviasse. O Paraguai, por sua vez, chegou apenas aos 18 pela primeira vez. Após Cáceres chutar e a defesa afastar, Caniza aproveitou a sobra e arriscou de longe, com perigo, para fora.

O panorama pouco mudou nos minutos restantes do primeiro tempo, mesmo após a Eslováquia fazer 1 a 0 na Itália e assumir a segunda colocação da chave. A Nova Zelândia seguia presa à marcação, criando pouco e insistindo em cruzamentos ineficazes. E o Paraguai apelava para chutes de fora da área. Na etapa inicial, arriscou sete finalizações e acertou o gol em apenas uma oportunidade.

Nada mudou com o início do segundo tempo. Mesmo precisando do gol para se classificar, a Nova Zelândia pouco passava do meio-de-campo e deixava o Paraguai tocar a bola tranquilamente. A primeira boa chance do jogo ocorreu aos 11 minutos, quando o zagueiro Nelsen cometeu falta na entrada da área em Santa Cruz. Na cobrança, Cardozo bateu por cima.

Somente aos 17 minutos o Paraguai, enfim, fez o goleiro adversário trabalhar. Riveros aproveitou cruzamento, cabeceou no canto e exigiu grande defesa de Paston. Santa Cruz ainda ficou com a sobra na pequena área, mas finalizou em cima do zagueiro.

Insatisfeitos, os dois técnicos começaram a mexer na equipe. Barrios, por exemplo, entrou no lugar de Cardozo. Wood também foi a campo na Nova Zelândia, substituindo Fallon. As mudanças pouco mudaram o panorama do duelo. O Paraguai seguiu ligeiramente superior e quase ampliou aos 31 com Benitez, após cortar um zagueiro, bater rasteiro e exigir boa defesa de Paston. A partir daí, as duas equipes apenas aguardaram o final da partida. Até mesmo a Nova Zelândia, eliminada com o empate.

FICHA TÉCNICA:

Paraguai 0 x 0 Nova Zelândia

Paraguai - Villar; Caniza, Julio Cesar Cáceres, Da Silva e Morel; Victor Cáceres, Vera e Riveros; Valdez (Benitez), Cardozo (Lucas Barrios) e Santa Cruz. Técnico: Gerardo Martino.

Nova Zelândia - Paston; Reid, Nelsen e Smith; Bertos, Vicelich, Elliott e Lochhead; Fallon (Wood), Killen (Brockie) e Smeltz. Técnico: Ricki Herbert.

Árbitro - Yuichi Nishimura (Japão).

Cartões amarelos - Victor Cáceres, Santa Cruz e Nelsen.

Local - Estádio Peter Mokaba, em Polokwane (África do Sul).

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