Paraguai estraga a festa do penta

Estava tudo programado ser uma grande festa no estádio Castelão, em Fortaleza, para comemorar a conquista do pentacampeonato mundial. Só que o convidado Paraguai estragou tudo e venceu o Brasil por 1 a 0, nesta quarta-feira, no jogo que marcou a despedida do técnico Luiz Felipe Scolari da seleção. Para homenagear todos os participantes da campanha na Copa da Coréia/Japão, Felipão colocou em campo os 21 jogadores que tinha à disposição - Roque Júnior, Lúcio e Juninho não jogaram por estarem contundidos, mas Emerson, cortado na véspera da estréia no Mundial, foi chamado para se juntar ao grupo. Antes do início do amistoso, o capitão Cafu repetiu o gesto do dia 30 de junho, no estádio Yokohama, no Japão, quando ergueu o taça de campeão mundial. Assim que a bola começou a rolar, alguns jogadores brasileiros mostraram que ainda estão em clima de festa, sem muito preparo físico para jogar futebol. O Paraguai se aproveitou disso para vencer com um gol de Cuevas, aos 27 minutos do primeiro tempo. O Brasil entrou em campo praticamente com os mesmos jogadores que brilharam na Copa de 2002. Os únicos titulares ausentes foram os zagueiros Lúcio e Roque Júnior, poupados por contusão. Mas terminou aí a semelhança com a equipe que venceu sete jogos, na campanha da Coréia e do Japão, e voltou ao topo do futebol internacional. A seleção foi um arremedo do time campeão ? de Marcos a Ronaldo, passando pelos dez reservas aproveitados durante a partida, poucos se salvaram. O zagueiro Edmílson atuou o tempo todo e teve comportamento discreto. Anderson Polga, outro que não saiu, igualmente não foi um fiasco. Nenhum dos dois, porém, foi brilhante. O tom que os brasileiros quiseram dar à partida era de descontração, e isso ficou claro desde o início. Tanto que Ronaldinho Gaúcho, Roberto Carlos, Ronaldo abusaram do malabarismo em vários momentos, mas nem sempre deu certo. Num desses lances, Roberto Carlos armou contra-ataque do Paraguai, aos 22 minutos, e por duas vezes Cuevas testou os reflexos de Marcos, que até àquela altura estavam bons. Cinco minutos mais tarde, Cuevas voltou a incomodar e dessa vez, de forma demolidora. O atacante paraguaio recebeu passe da intermediária, limpou a jogada e arriscou de longe, de fora da área. O chute saiu forte, sem chances para Marcos. A bola ainda resvalou na trave direita e foi para o gol. A seleção brasileira aparentemente não se abalou com a desvantagem. Afinal, é campeã do mundo e se apresentava em data especial, com muitos convidados nas tribunas e até com a presença de Ciro Gomes, candidato preferido de Ricardo Teixeira e Felipão para a presidência da República. O time achou que poderia livrar-se do rival incômodo, como havia feito com Turquia (duas vezes), China, Costa Rica, Bélgica, Inglaterra e Alemanha na Copa da Ásia. Mas ficou apenas na presunção. Logo aos 32 minutos do primeiro tempo, começou o festival de substituições e os dois primeiros a sair foram Marcos (cedeu lugar para Dida) e Ronaldo (cansado, fora de forma, abriu espaço para Luizão). Todos jogaram, mas de nada adiantou. O Brasil não criou, não repetiu episódios mágicos que chegaram ao auge 52 dias atrás e saiu de campo com a dura realidade de que precisará suar muito para não arranhar demais a quinta estrela.

Agencia Estado,

21 Agosto 2002 | 17h59

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