Paraguai vence Japão nos pênaltis e avança na Copa

A seleção do Paraguai avançou às quartas de final da Copa do Mundo da África do Sul ao derrotar o Japão por 5 a 3 na disputa de pênaltis, após empate por 0 a 0 no tempo regulamentar e na prorrogação em partida realizada no Estádio Lottus Versfeld, na cidade de Pretória.

LEANDRO SILVEIRA, Agência Estado

29 de junho de 2010 | 13h57

Classificado, o Paraguai vai enfrentar nas quartas de final o vencedor do confronto entre Espanha e Portugal, que será realizado ainda nesta terça-feira. O duelo que definirá um dos semifinalistas da Copa do Mundo acontecerá em 3 de julho, na cidade de Johannesburgo, no Estádio Ellis Park, às 15h30 (horário de Brasília).

Duas das surpresas da primeira fase da Copa do Mundo, Paraguai e Japão entraram em campo nesta terça-feira com o objetivo de fazer história, já que nunca avançaram às quartas de final do torneio. E foi a seleção paraguaia que alcançou nesta terça-feira a sua melhor campanha na história da competição com o triunfo na disputa de pênaltis.

Com a inédita classificação paraguaia, a América do Sul terá quatro representantes nas quartas de final da Copa do Mundo, já que Argentina, Uruguai e Brasil também avançaram. A Europa terá três seleções na próxima fase (Alemanha, Holanda e Espanha ou Portugal) e Gana é a única equipe africana ainda viva no torneio.

O técnico Takeshi Okada repetiu a escalação que derrotou a Dinamarca por 3 a 1 na última rodada do Grupo E. A formação era defensiva, já que a equipe jogava apenas com Honda no ataque. Assim, a aposta da equipe era em contra-ataques e cobranças de falta. Já o Paraguai entrou em campo com várias mudanças no meio-de-campo e no ataque, com um trio ofensivo formado por Roque Santa Cruz, Lucas Barrios e Benítez.

O Paraguai teve amplo domínio da posse de bola na partida, mas não conseguiu transformar isso em chances de gol e foi até ameaçado em contra-ataques japoneses, principalmente no primeiro tempo. O confronto, porém, ficou marcado pela falta de ousadia das duas equipes, que ameaçaram pouco as metas adversárias. Assim, a partida seguiu para prorrogação.

Este foi o segundo duelo das oitavas de final que foi levado ao tempo extra. Antes, Gana havia eliminado a seleção dos Estados Unidos em outro duelo de 120 minutos. A prorrogação foi mais movimentada, mas não o suficiente para definir o vencedor do confronto, que foi definido apenas na disputa de pênaltis.

O JOGO - O Japão começou a partida impondo uma forte marcação no meio-de-campo, impedindo que o Paraguai conseguisse chegar com perigo, mesmo tendo mais iniciativa. Assim, o confronto ficou muito concentrado na intermediária, com Villar e Kawashima tendo pouco trabalho.

A qualidade técnica do jogo era baixa diante do excesso de lançamentos e passes errados. Mais ofensivo, o Paraguai criou a primeira chance de gol aos 20 minutos. Lucas Barrios recebeu dentro da área, driblou um zagueiro e finalizou fraco, facilitando a defesa de Kawashima. O Japão deu o troco aos 22 minutos. Da intermediária, Matsui chutou forte e acertou o travessão da meta defendida pelo goleiro Villar, que já estava batido na jogada.

O Paraguai começou a ser mais efetivo, encontrando espaços nas defesa do Japão, que parecia satisfeito com o panorama do confronto e o empate. E a seleção sul-americana desperdiçou boa oportunidade aos 29 minutos. Após cobrança de escanteio de Morel Rodríguez, a bola sobrou pata Santa Cruz, que finalizou à esquerda do gol.

Na parte final do primeiro tempo, o Japão passou a ser um pouco mais ousado, atacando principalmente pelo lado direito. Para conter esse avanços, o Paraguai cometia faltas na intermediária e assim conseguia evitar ataques perigosos.

As duas equipes começaram o segundo tempo sem se arriscar. Um pouco mais ofensivo e com mais posse de bola, o Paraguai apostava em jogadas aéreas para ameaçar o Japão. Aos 14 minutos, Morel Rodríguez cruzou, Riveros se antecipou à zaga japonesa e cabeceou. O goleiro Kawashima fez a defesa.

Também em jogada de bola parada, o Japão chegou com perigo aos 18 minutos. Após cobrança de escanteio, Tulio Tanaka subiu e cabeceou. A bola desviou em Santa Cruz antes de sair à esquerda do gol defendido por Villar.

Apesar do empate, as duas seleções preferiam não ser ousadas, apostando na definição do jogo em lances isolados ou até mesmo na prorrogação. Assim, as duas equipes concentravam o jogo na intermediária, mesmo com o Paraguai tendo mais iniciativa contra um adversário que não conseguia encaixar bons contra-ataques. Por isso, o empate por 0 a 0 permaneceu e o jogo seguiu para a prorrogação.

O Paraguai começou o tempo extra mais ofensivo e pressionou o Japão, que tinha dificuldades para conter os principais jogadores da equipe sul-americana. O time criou uma chance de gol logo aos cinco minutos. Cardozo cruzou na área para Lucas Barrios que, sozinho, cabeceou no meio do gol, facilitando a defesa do goleiro Kawashima.

O Japão conseguiu equilibrar o segundo tempo da prorrogação, mesmo sem criar oportunidades de gol. Como as duas equipes estavam cansadas, elas passaram a abusar dos cruzamentos, que não surtiram efeito. Assim, a disputa seguiu para as cobranças de pênalti.

Barreto, Lucas Barrios, Riveros, Valdés e Cardozo, que bateu o pênalti decisivo, converteram para o Paraguai e definiram a vitória da equipe por 5 a 3. Endo, Hasebe e Honda marcaram para o Japão, mas Komano acertou o travessão na sua cobrança, e encerrou o sonho da equipe de avançar na Copa do Mundo.

FICHA TÉCNICA:

Paraguai 0 x 0 Japão (5 x 3 nos pênaltis)

Paraguai - Justo Villar; Bonet, Da Silva, Alcaraz e Morel Rodríguez; Ortigoza (Edgar Barreto), Vera e Riveros; Santa Cruz (Cardozo), Benítez (Haedo Valdez) e Lucas Barrios. Técnico: Gerardo Martino.

Japão - Kawashima; Komano, Nakazawa, Tulio Tanaka e Nagatomo; Abe (Nakamura), Hasebe, Matsui (Okazaki), Endo e Okubo (Tamada); Honda. Técnico: Takeshi Okada.

Árbitro - Frank De Bleeckere (Bélgica).

Cartões amarelos - Riveros (Paraguai); Matsui, Nagatomo, Honda e Endo (Japão).

Público - 36.742 espectadores.

Local - Estádio Lottus Versfeld, em Pretória (África do Sul).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.