Paraná é o maior exportador de boleiros

A região do norte do Paraná, nas imediações da cidade de Londrina, está se tornando um pólo de exportação de jovens jogadores para países do Leste Europeu, uma conexão intermediada por empresários e clubes desses países. Os atletas já começam a se destacar e a receber convites para se naturalizar por países do Leste, num esquema semelhante ao que ligava o Maranhão à Bélgica na década passada.Assim como o maranhense Oliveira, que se naturalizou belga e disputou a Copa de 98, na França, Ricardo Baiano e Leandro Almeida possuem cidadania bósnia e húngara, respectivamente, e já foram convocados pelas seleções nacionais desses países. Em comum, ambos têm passagens pelo futebol de Londrina.A conexão Paraná-Leste Europeu tem várias explicações. Uma delas é que o futebol desses países sofre grande assédio de clubes italianos, espanhóis, ingleses, franceses e alemães pelos seus craques, que acabam seduzidos pelas propostas. Sem peças de reposição, os clubes são obrigados a importar novos jogadores.A falta de jogadores no Leste Europeu, somada à astúcia dos empresários de futebol, levou à criação de uma nova conexão entre os dois continentes. Faltava encontrar um fornecedor de mão-de-obra boa e barata.Aí entra o Paraná. Entre os empresários, há um consenso de que a região Sul do País (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), pelo fato de ter sido colonizada por famílias de origem européia, produz um jogador que se adapta melhor ao futebol europeu. São mais resistentes ao frio, uma das queixas mais comuns dos brasileiros, e há a possibilidade de obter um passaporte comunitário, que abriria as fronteiras do continente.Um exemplo é o meia Leandro Almeida, ex-Londrina, hoje no Ferencvaros. Sua família mora em Cornélio Procópio. "Ele é um exemplo de jogador bem-sucedido na Europa. Eu sabia que ele daria certo. Vem de boa família. Tem boa formação e muita força de vontade", afirmou Francisco Feitosa, o empresário que levou o jogador ao futebol húngaro.Estrutura - Além disso, a região do Norte do Paraná tem clubes com excelente estrutura. Um exemplo é o PSTC, clube de Londrina que é parceiro do Atlético-PR e já revelou Kleberson e Dagoberto. A fama do PSTC entre os boleiros é a de formar jogadores e repassá-los para a Europa.O "bósnio" Ricardo Baiano confirma: "Quando estava na Bahia, me disseram que havia um clube no Paraná com estrutura para treinar e depois vender o jogador para a Europa." Era o PSTC.Seu presidente, Mário Iramina, nega que esse seja o objetivo. "Nossa prioridade é formar atletas para o Atlético, mas há sobras e os que não são aproveitados acabam seguindo carreira em outros times e até em outros países."

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