Nilton Fukuda/Estadão
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Parar para pensar

O Campeonato Brasileiro não pode ser prêmio de consolação

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2018 | 04h00

A festa está marcada para quarta-feira, mas com a vitória do Flamengo e o empate do Palmeiras com o lanterna Paraná, ela pode ser adiada um pouco mais. A campanha do Palmeiras, sua invencibilidade no segundo turno após a chegada de Felipão e a falta de competência dos rivais não deixam o torcedor pensar em outra coisa, enxergar outro cenário no Campeonato Brasileiro. São 20 rodadas seguidas sem perder, o que dá ao time paulista marca histórica desde que os pontos corridos foram estabelecidos, em 2003. O recorde era do Corinthians e até isso o time tirou do rival.

São Paulo, Flamengo e Inter morreram antes da hora, entregaram os pontos, ficaram degraus abaixo, se perderam na disputa quando tinham mais chances de perseguir o líder e, quem sabe, dar o bote nas partidas finais. Fracassaram todos. O Palmeiras também não permitiu nada aos concorrentes.

Não há desespero nesta contagem regressiva para a festa. São mais três rodadas a disputar, duas delas em casa. A iminência da conquista não tem mudado a cabeça dos atletas do Palmeiras. E isso se chama amadurecimento.

É preciso, no entanto, repensar o Brasileirão, de modo a não aceitar que a competição entregue um título menor, sem expressão ou de pouca importância. Não é isso. Porque nesta temporada, o torneio que começou lá em 1971 e teve o Atlético-MG como seu primeiro ganhador ficou no fim da fila comparado à Copa do Brasil e Libertadores. E não pode ser assim. O Brasileirão não é prêmio de consolação. Nunca será.

Ocorre que os times que conseguem ter boas condições financeiras por causa de bons patrocinadores e, assim, montar elencos fortes, como Grêmio, Cruzeiro, Flamengo e Palmeiras, dão importância a outras competições. Isso ficou claro nesta edição. A Copa do Brasil atrai por causa de seu prêmio de R$ 50 milhões e também porque tem suas etapas definidas mais cedo, além de dar vaga para a Libertadores, que significa mais dinheiro aos clubes.

A disputa sul-americana paga mal, mas dá prestígio, nacional e internacional, leva ao Mundial de Clubes da Fifa. É obsessão no futebol brasileiro. Nem por isso deve roubar o interesse das equipes pelo Campeonato Brasileiro.

Brasileirão é Brasileirão. E isso não vai mudar. A CBF trabalha no sentido de oferecer mais dinheiro aos times da Primeira Divisão, de modo a fazer novo acerto com a Globo a partir de 2019, conforme notícia publicada no Estado na semana passada. Isso faz parte de um novo pacote para valorizar o torneio. Haverá dinheiro da transmissão do campeonato para outros países. E de placas publicitárias. Em contrapartida, os clubes devem, até moralmente, montar times mais competitivos e de melhor elenco, com mais qualidade, segurando seus principais jogadores. O Brasileirão também ficou devendo em técnica e partidas mais bem jogadas. 

Não menos importante do que tudo isso é a necessidade imediata, já tardia para falar a verdade, de melhorar a arbitragem. De todos os problemas do Campeonato Brasileiro deste ano, os erros dos juízes, de campo, de lado ou de trás do gol, expuseram e se tornaram o calcanhar de Aquiles da CBF. De nada vale melhorar tudo se a arbitragem continuar decidindo jogos, errando e alterando possíveis resultados, como ocorreu semana passada no clássico entre Corinthians e São Paulo, prejudicando o Corinthians, e sábado em pênalti não dado para o Vasco novamente em jogo do time alvinegro. É hora de parar e repensar o Nacional.

São Paulo

A intenção de efetivar Jardine no São Paulo passa por um “olho no olho” das partes envolvidas. Porque há muita dúvida se nossos dirigentes seguram a onda quando as coisas não saem como eles esperam. Demitir treinador é a decisão mais fácil. Tomara isso mude.

 

 

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