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Parceria com Crefisa faz Palmeiras reviver 'era Parmalat'

Presença de empresas, grandes contratações e títulos estabelecem ligações entre os dois períodos

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

14 Fevereiro 2017 | 07h00

Dois títulos nacionais em sequência, contratações de grandes jogadores e o sonho de conquistas internacionais. O Palmeiras atual vive situação semelhante e tão positiva quanto à vivida na década de 1990, inclusive pela presença de empresas parceiras capazes de impulsionar todos esses feitos. Depois da Parmalat, é a vez de a Crefisa investir na montagem de um elenco poderoso.

Os moldes dos dois vínculos são bem diferentes, assim como o montante repassado aos cofres do clube. Porém, os efeitos da presença de ambas já podem ser comparados. A Parmalat começou em 1992 o trabalho responsável por tirar o Palmeiras da fila de 17 anos sem ganhar títulos. O jejum acabou em 1993, com o Campeonato Paulista, a primeira de uma série de taças. A lista inclui o bicampeonato brasileiro em 1993 e 1994.

A Crefisa surgiu em contexto turbulento parecido, ao assinar vínculo no começo de 2015, pouco depois de o time quase ter sido rebaixado no Brasileiro pela segunda vez em três temporadas. Desde então, injetou dinheiro, ajudou a contratar sete jogadores e acompanhou o Palmeiras a ganhar a Copa do Brasil, em 2015, e o Brasileiro, no ano passado, título conquistado pela última vez justamente na época da Parmalat.

"A similaridade da parceria é muito grande em termos de investimento de atletas, no clube e em coisas do tipo. Só que a Parmalat era um regime profissional, participava da gestão. No caso da Crefisa, isso não ocorre", disse Jose Carlos Brunoro, diretor da esportes da Parmalat na época da parceira e atualmente diretor executivo do Desportivo Brasil.

O vínculo contratual é a principal diferença entre as duas parcerias. A Parmalat exercia uma cogestão, para administrar os departamentos do clube com a participação da multinacional italiana. A Crefisa, por sua vez, atua como patrocinadora master no uniforme e contribuiu com reforços. O último deles foi o atacante Borja, trazido por R$ 33 milhões.

"A gente faz o possível para contribuir. Quando somos acionados, queremos sempre ajudar o clube", disse a presidente da empresa, Leila Pereira, no último sábado, depois de ser eleita conselheira do Palmeiras.

O banco aplicou somente em patrocínio de camisa R$ 132 milhões nas duas últimas temporadas. O novo acordo, assinado semana passada, prolongou a parceria por mais dois anos. O Palmeiras vai receber R$ 150 milhões, mais um bônus de R$ 40 milhões caso conquiste todos os títulos em disputa em 2017.

"Os valores investidos pela Parmalat na época, se comparados aos de hoje, foram bem menores", explicou Brunoro. Entre 1992 e 1993, a empresa italiana investiu no clube, em valores corrigidos, aproximadamente R$ 52 milhões. "O Palmeiras pode ter o mesmo sucesso da época Parmalat, por ter um elenco muito bom", comentou.

REFORÇOS

A parceria da décadas de 1990 trouxe nos dois primeiros anos 20 contratações, algumas delas de atletas que são ídolos até hoje, como Edmundo, Zinho e Roberto Carlos.

Os reforços dessa era recente de parceria ainda aguardam mais sequência pelo Palmeiras para ter histórias parecidas. No pacote viabilizado pela Crefisa estão titulares do time atual como o zagueiro Vitor Hugo, o meia Guerra e os atacantes Borja e Dudu.

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Empresa lucra R$ 1 bilhão por ano

Crefisa tem ativos de R$ 4 bilhões e cresce graças a empréstimos feitos aos clientes

Josette Goulart, O Estado de S. Paulo

14 Fevereiro 2017 | 07h00

Emprestar para quem não tem crédito na praça e cobrar muito caro por isso. Essa tem sido a estratégia da Crefisa que a tornou nos últimos anos uma das instituições financeiras mais lucrativas do Brasil. Se for feita uma comparação com todos os bancos e financeiras regulados pelo Banco Central, a Crefisa está entre as top 10. Foi mais de R$ 1 bilhão de lucro líquido em 2015. Até setembro do ano passado, outros R$ 805 milhões foram registrados pela companhia. E esse resultado todo acontece mesmo com a Crefisa estando lá embaixo, na 60.ª posição, no ranking por tamanho das instituições. 

A empresa possui centenas de lojas financeiras espalhadas por todo o País, oferecendo crédito a um custo de 20% ao mês. Para driblar a inadimplência, desconta as parcelas dos empréstimos na conta corrente do cidadão. Funciona quase como um cheque especial. Na verdade, as taxas de juros da Crefisa são até mais caras que a do cheque especial de qualquer grande banco, segundo os dados do Banco Central. Mesmo assim, mais de um milhão de clientes possuem empréstimos com a financeira. Seus ativos ultrapassavam R$ 4 bilhões no ano passado. 

Os donos da Crefisa, no entanto, são avessos a entrevistas. A empresa é comandada pelo casal José Roberto Lamacchia, fundador e controlador da financeira, e Leila Mejdalani Pereira, que é a presidente da instituição. Os dois praticamente não aparecem na mídia. Tampouco falam de seus negócios, que além da Crefisa inclui a Faculdade das Américas. A exceção é feita quando se trata justamente do Palmeiras. Aí os holofotes têm se voltado para o casal, que é hoje o maior patrocinador do time. 

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