Parceria do Corinthians com o MSI vai passar por CPI

CBF tenta impedir a criação, pois acredita que a investigação atrapalhará a candidatura do Brasil à Copa

Rosa Costa, do Estadão,

04 de outubro de 2007 | 09h03

Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista vai investigar suposta ocorrência de formação de quadrilha, crimes contra o sistema financeiro nacional e a ordem tributária, sonegação e evasão de divisas na parceria do Corinthians com o MSI. De iniciativa do deputado Silvio Torres (PSDB-SP) e do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), o requerimento de criação da comissão obteve até agora o apoio de 210 deputados, 39 além do necessário, e 17 senadores. Veja também: Crônica do jogo: Fluminense 1 x 1 Corinthians Torcedora fanática, Hortência quer ajudar o Corinthians Classificação Últimos resultados / Próximos jogos Dias acredita que, já na próxima semana, terá as 27 assinaturas para levar a investigação adiante. Deputados de vários partidos apóiam a iniciativa. No Senado, constam as assinaturas de parlamentares de peso, como o tucano Arthur Virgílio (AM), e os senadores Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcelos (PE), ambos do PMDB. O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, pediu que os senadores boicotem a criação da CPI. Ele alega que a investigação pode atrapalhar o trabalho em curso para que o Brasil venha a sediar a Copa do Mundo de 2014. Para não dar pretexto a eventual fiasco nessa área, Silvio Torres e Álvaro Dias se comprometeram a "segurar" a criação da CPI até o dia 31, quando será definida a sede da Copa. O deputado lembrou que a iniciativa, ao contrário do que sugere a oposição de Teixeira, deve agradar à Fifa. Ele lembrou que a entidade patrocina um comitê especial de investigação de crimes, como os que estão sendo investigados pelo Ministério Público nos contratos do Corinthians com o MSI. Os parlamentares torcem pelo êxito da investigação que está sendo feita pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo. Mas lembram que uma CPI, além de dispor de mecanismos que facilitam a apuração, como o de quebrar sigilos bancário, fiscal e telefônico, oferece condições para a sociedade acompanhar de perto o que está sendo feito. Sobretudo se a investigação corre em sigilo de Justiça. A exemplo do que teria ocorrido com o time paulista, o principal alvo das apurações são investidores do Leste Europeu, lembrou Torres. Sobre a pressão de Teixeira, o deputado acredita que ele deve estar atendendo ao pedido de outros clubes brasileiros, igualmente suspeitos de utilizarem recursos de origem ignorada. Os termos do requerimento deixa aberto o avanço da investigação a outras agremiações. Ex-relator da CPI da Nike, que em 2000 e 2001 investigou série de irregularidades no futebol e corintiano de coração, Torres acredita que a torcida de seu time apóia a iniciativa. "O que todos querem é que tudo isso seja esclarecido", alega. O deputado acredita que ocorreu no Corinthians o mesmo de outros times, "de tentar suprir uma situação financeira precária com dinheiro vindo não se sabe de onde". "E o que se deu, é que vários deles ficaram contaminados", constatou.

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