Arquivo Pessoal/Pedro Camargo
Arquivo Pessoal/Pedro Camargo

Paris Saint-Germain abre programa de sócio-torcedor exclusivo para brasileiros

Primeiro clube europeu a apostar em projeto no Brasil oferece descontos em produtos e até possibilidade de entrar em campo com o time em Paris

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

28 de novembro de 2019 | 11h59

O Paris Saint-Germain decidiu extrapolar as fronteiras da França e abrir um programa de sócio-torcedor exclusivo paras brasileiros. Há uma legião deles no elenco. O clube aposta na ligação com a terra de Neymar, Marquinhos e Thiago Silva e na oferta de vantagens para atrair quem mora na América do Sul e torce pelo time francês. Os interessados pagam mensalidades de até R$ 49,90 e ganham como comodidades o desconto em produtos oficiais, a participação no sorteio de brindes e a compra de pacotes de viagens para ver jogos no estádio Parque dos Príncipes.

A novidade é duplamente inédita. O PSG é o primeiro clube europeu a criar um sócio-torcedor no Brasil, assim como o País é a primeira nação além da França a ter o programa. "O Brasil é um mercado interessante para o clube. Nossa marca é muito forte por aqui. Queremos ter visibilidade fora da França e vemos que existe potencial para crescer. Existe um público que gosta do PSG", explicou ao Estado o diretor de operações do MyParis Brasil, o francês Sidney Bovy.

Um dos focos do projeto é atrair a garotada que acompanha o futebol europeu e curte jogar vídeogame com o time de Neymar, Cavani e Di María. O PSG quis apostar no sócio-torcedor depois de avaliar positivamente outro projeto do clube no Brasil. Criada em 2014, a rede de escolinhas de futebol do time, a PSG Academy, conta com 15 unidades e 4 mil crianças de até 15 anos de idade.

O programa de sócio tem dois tipos de planos. O básico custa R$ 9,90 por mês e oferece como benefícios acompanhar a transmissão de jogos, vídeos de treinos e participar do clube de vantagens. A modalidade mais cara é de R$ 49,90 mensais, com a vantagem de ter prioridade na compra de pacotes de experiência para viagens para a França com dois acompanhantes. O preço da excursão ainda não foi definido. Esse pacote ainda dá a chance de o garoto entrar no campo com o time. 

Segundo o diretor executivo do MyParis Brasil, Michel Cardoso, o intuito não é competir com os programas de sócio-torcedor das equipes brasileiras. "Não queremos concorrer. Nosso posicionamento é diferente. O PSG chega para propor uma parceria e oferecer experiências voltadas para a França e até atingir turistas que vão com frequência para lá", explicou.

O lançamento do projeto ocorreu no fim do mês passado. O ex-lateral-esquerdo Maxwell, que jogou pelo PSG, veio ao Brasil para apoiar a divulgação e recebeu o título de primeiro sócio honorário. O clube alavancou o sócio-torcedor ao oferecer a adesão aos 4 mil alunos da rede de escolinhas. Todos foram migrados para o pacote básico do programa.

LIGAÇÃO ANTIGA

O advogado carioca Pedro Lauro de Camargo, de 68 anos, se tornou um dos primeiros sócios-torcedores do PSG no Brasil. Frequentador de Paris há muitos anos, ele viu no programa a oportunidade de levar os netos ao estádio. Os garotos são fãs do time de Neymar. "Entrei como sócio para me juntar aos meus netos. A oportunidade de fazer a viagem guiada facilita demais. Você ir ao exterior e ter de ficar se preocupando com ingresso e deslocamento é muito difícil", afirmou.

Camargo agora consegue ver pela TV do clube a transmissão dos partidas do Campeonato Francês e brincou que os quatro netos têm pedido para ir aos jogos do PSG. "Antigamente as crianças só gostavam da Disney. Agora, eles querem experimentar mais como é o jogo de um time europeu", disse.

Pesquisa realizada pelo Ibope Repucom no final de 2017, mostra que entre os brasileiros com mínimo de 16 anos, 22,8 milhões (14% do total) consideram ter um segundo time do coração entre os estrangeiros. Naquela ocasião, Barcelona, Real Madrid, Paris Saint-Germain e Chelsea foram os mais lembrados. O mesmo levantamento aponta que os jovens brasileiros que passaram a torcer por times europeus cresceu: era de 64% em 2013, passou para 69% em 2015 e chegou a 72% em 2017.

RELAÇÃO À DISTÂNCIA

Para André Monnerat, chefe de negócios da Feng Brasil, empresa especializada em projetos de engajamento de fãs e que atua na gestão de alguns dos principais programas de sócio torcedor, como Flamengo, Santos e Vasco, a iniciativa do Paris Saint-Germain tem o desafio de conseguir fidelizar um torcedor que está distante do time.

"Um bom conteúdo digital, parcerias, ativações e eventos locais são importantes, mas além de acertar nesta oferta e investir bem em sua comunicação, há um passo anterior, que é criar um público de bom volume realmente muito engajado com o clube, seus valores, seus jogadores e suas partidas, a ponto de se dispor a comprar produtos com sua marca", avaliou.

Segundo o especialista, é necessário o clube investir em algumas propostas para compensar a falta de vínculo emocional com o torcedor brasileiro. "Os diferenciais é a oferta de conteúdo digital exclusivo e uma parceria para produzir ativações e eventos locais, aproximando fisicamente o clube do público. Por outro lado, o PSG não pode contar com o mesmo tipo de vínculo emocional, por exemplo, que um torcedor da região Sul-Sudeste que mora no Nordeste tem com seu clube", completou.

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