Parreira admite: embarca para a Copa com frio na barriga

Com a responsabilidade de comandar o símbolo da maior paixão de quase 180 milhões de brasileiros, o técnico da seleção, Carlos Alberto Parreira, embarca hoje, às 21h35, rumo à Suíça, onde o Brasil vai se preparar para a Copa do Mundo da Alemanha. Ciente da importância de seu cargo, não se envergonhou de mostrar o medo e a tensão, que serão usados em benefício do grupo. ?É claro que apesar dos anos de experiência a gente sente medo, fica tenso, vem o friozinho na barriga. Mas essas coisas servem para nos dar motivação?, disse Parreira. ?Não é aquele medo que te intimida, mas que te dá coragem para superar os desafios.? E, desde que voltou à seleção no início de 2003, os desafios se tornaram ainda mais constantes na vida de Parreira, de 63 anos, campeão do mundo em 1994, nos Estados Unidos. O fato de estar à frente do time mais prestigiado e temido do mundo, com todas as regalias que o cargo pode oferecer, não seduz o treinador, que sempre lembra a necessidade de estar vencendo. ?Muitos falam que está tudo bem, que não fui pressionado na convocação. Mas é só perder um jogo e veremos o que acontecerá. Os críticos logo vão aparecer?, afirmou Parreira. ?Pensa que ser técnico do Brasil é mole mano? Ter todo dia alguém pedindo por um ou outro jogador na rua, a pressão pelas vitórias...? Apesar do desabafo, Parreira contou não estar arrependido de ter reassumido o cargo. É um otimista quando o assunto é a conquista do hexacampeonato mundial, sempre ressaltando a necessidade de os jogadores atuarem conscientes de que o favoritismo precisa ser provado em campo a cada minuto dos jogos. Além de Parreira, está prevista a presença no embarque hoje à noite, no Rio para Zurique - de onde a seleção seguirá para Weggis, local da preparação para a Copa -, a comissão técnica e os jogadores Cicinho, Cris, Luisão, Ricardinho, Roberto Carlos, Robinho, Rogério Ceni, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Adriano, Emerson, Gilberto, Juan e Júlio César. Já Juninho Pernambucano sairá de Recife e os demais atletas partirão da Europa. Ciente de que os convocados têm tudo para ser campeões, Parreira procurará aliviar a responsabilidade praticando um de seus hobbies preferidos e adquirido nos últimos anos: fotografar. Inúmeras vezes, o técnico da seleção, após os treinos, conversa com os repórteres fotográficos para saber qual a novidade no mercado. Já a pintura, outra paixão do discípulo da escola Impressionista, por enquanto, está esquecida, pela falta de tempo. ?Como qualquer arte, a pintura na minha vida é algo inato. Sempre gostei muito de desenhar e de fotografias também ?, destacou o treinador, sem esquecer o pensamento que deve nortear suas conversas para motivar os jogadores. ?O futebol é a única coisa que une esse País de norte a sul, leste a oeste. Nunca tivemos uma guerra, não brigamos pela nossa independência, não temos símbolo, mas o futebol sim, exerce essa função!? Em Weggis a seleção permanecerá até o dia 4 de junho, data da saída da Suíça para o ?quartel-general? da equipe na Alemanha, em Königstein. Neste período, o Brasil fará jogo-treino contra a seleção de Lucerna, na Basiléia, e no dia 4 de junho enfrenta a Nova Zelândia em Genebra. Até para saber o nível do condicionamento da maioria dos jogadores da seleção, que terminaram suas temporadas no futebol europeu, Parreira destinou os dois primeiros dias em Weggis para trabalhos físicos. Mas já avisou: ?Não é hora de exigir dos atletas, mas de treinarmos para recuperar o nosso entrosamento?.

Agencia Estado,

21 Maio 2006 | 09h48

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