Parreira: Afobação foi o problema do time no jogo

O técnico Carlos Alberto Parreira apontou o principal problema da seleção brasileira logo após a vitória contra a seleção de Gana: a falta de paciência e o excesso de passes errados. Para ele, principalmente no primeiro tempo, quando o time errou mais e teve menos posse de bola (46% a 54% para os ganenses), o Brasil teve problemas. Depois, quando se acertou e passou a jogar com mais calma, tudo deu certo."O jogo desta terça-feira como esperávamos não foi fácil. Três a zero dá uma falsa ilusão. Gana fez quatro jogos interessantes e fez um jogo equilibrado contra o Brasil. No intervalo chamei a atenção porque notamos que a posse de bola era um pouco melhor de Gana. Erramos muito passes. Confundíamos velocidade com pressa. Sem coordenação, erramos muito no primeiro tempo. Nos 15 minutos finais o jogo equilibrou e o Brasil quando põe a bola no chão leva vantagem. É preciso trabalhar mais essas jogadas antes de fazer o passe final. Não é só pelo meio, é pelos lados e nas costas da defesa", avaliou o técnico.Parreira não gostou quando foi questionado sobre a possibilidade da defesa brasileira ter cometido erros que permitissem a chegada da seleção de Gana no ataque. "Não acho que tenhamos tido falhas na defesa. Se isso tivesse acontecido teríamos perdido o jogo. Foram chutes de longe, a defesa se portou bem, só acho que não seguramos a bola. Nos últimos 15, 20 minutos, é que conseguimos isso".Sobre a possibilidade de enfrentar Espanha ou França, o técnico brasileiro foi enfático: não há quem escolher. "Não tem porque escolher adversário. Logo após o sorteio falamos que oito poderiam chegar ao título e todos estão chegando", afirmou. Tudo segue como estáCarlos Alberto Parreira já deixou no ar que não pretende e nem pensa em mudanças no time daqui para frente. Ele insiste na tese de que é preciso manter o conjunto. "Quem chegou até aqui não tem motivo para mudar. Há realmente um cuidado maior, a Copa é uma competição diferenciada, vide a Suíça. O importante é passar para a próxima etapa. Oitavas e quartas são a fase mais difícil, você tem que ter nervos de aço, perdeu um jogo está fora". É justamente por causa disso que Parreira diz não se incomodar com o fato do time não ter rendido tudo aquilo que era esperado. "A história fala dos campeões, não do jogo bonito. Por que o Brasil tem que jogar bonito? Apreciamos isso, mas queremos ser campeões mundiais. Já conseguimos cinco títulos e estamos no caminho para conseguir mais um."Sobre as críticas do time de Gana ao árbitro, pois o técnico Ratomir Dujkovic saiu de campo expulso no intervalo por dizer que o árbitro devia vestir a camisa amarela, Parreira disse que não passa de choro. "Choradeira de perdedor. Acontece sempre. Chora quem perde. Belo exemplo."

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