Parreira avisa: quer buscar a Argentina

O técnico Carlos Alberto Parreira respirou aliviado apósfestejar com os jogadores no campo e no vestiário a classificação doBrasil para a Copa do Mundo de 2006. E já no Estádio Mané Garrinchadefiniu o próximo desafio do time pentacampeão do mundo: superar aArgentina nas duas últimas partidas que ainda faltam das EliminatóriasSul-Americanas. ?Vamos agora colocar pressão neles. Temos seis pontospara disputar e quero duas vitórias do time?, disse o técnico, agoradeclarando que irá trabalhar com a base dessa equipe nos jogos contraBolívia e Venezuela, em outubro.Parreira era só alegria. Disse que a vitória elástica por 5 a 0 o surpreendeu. ?Esperava um jogo maiscomplicado, sobretudo pela importância da disputa. O Brasil lutava paraconseguir sua vaga e o Chile para tentar subir na tabela. Esperava umjogo bem mais complicado do que foi?, disse.O técnico também deu ontem uma dica aos torcedores que esperam verRonaldinho Gaúcho junto com o quarteto de frente que atuou ontem emBrasília, formado por Kaká, Robinho, Adriano e Ronaldo. Eles nãojogaram juntos. ?Temos aí um problema conceitual. Um quadrado só tem quatro lados. Nãohá como ter cinco.? Para bom entendedor isso significa que alguém sairápara a volta de Ronaldinho Gaúcho. Mas quem?Parreira não responde. Nem os jogadores. Robinho causa frissom e é anova sensação do Brasil e da Europa. O povo quer vê-lo em campo.Ronaldo é Ronaldo até a Copa do Mundo e dificilmente ele perderá seulugar. Parreira é fiel a ele. Kaká e cada vez mais titular eimprescindível no meio. Sobra então Adriano. Mas como sacar um atacanteque marcou três gols? ?O Parreira tem um grande problema, uma enorme dor de cabeça. Eu nãotiraria nenhum e ainda incluiria Ronaldinho?, brincou o capitão Cafu.Parreira apenas ri sobre o assunto. ?Vamos pensar nisso mais parafrente.? Nesta terça-feira, a Seleção volta a campo em amistoso com o Sevilha.Ronaldinho Gaúcho está convocado. Não jogou domingo por estar suspenso. ComRonaldo sente dores musculares na coxa direita e por isso ele saiu dojogo no intervalo, ganha força a possibilidade de o atacante não atuarna Espanha.Parreira qualificou a vitória do Brasil sobre o Chile como umaexibição de gala. Nem ele imaginava que o time jogaria tão bem nosprimeiros 30 minutos, quando sacramentou o resultado. ?Estaria contentecom uma vitória por 1 a 0. Isso já me bastava. Mas o Brasil gostou dojogo e sobrou em campo?, disse. ?A primeira etapa está vencida. Podemosagora pensar nos preparativos para o Mundial.?No seu balanço dessas Eliminatórias, o treinador jogou para o alto suamodéstia. ?Desculpe a minha sinceridade, mas não tivemos problemas emnenhum momento dessa disputa. Nunca ficamos ameaçados. Foi umaeliminatória equilibrada, mas sem sobressaltos para a SeleçãoBrasileira.? O treinador lembra apenas de dois episódios que oincomodaram: a derrota para a Argentina por 3 a 1 e o empate com oUruguai por 3 a 3. ?Foram partidas que bobeamos.?Parreira sonhava com essa classificação antecipada. E tinha motivos para isso. Em 93,ele viveu o inferno com a possibilidade, naquela época, de o Brasilficar fora da Copa dos Estados Unidos. ?Era uma pressão tremenda.?Se não conseguisse a vaga em Brasília, Parreira corria o risco desofrer o mesmo martírio, pois o duelo com a Bolívia em La Paz será naaltitude de 3.600 metros. É, portanto, um jogo sem previsão deresultados. O Brasil já perdeu lá.O tumulto que tomou conta do estádio após a classificação fez acomissão técnica mudar os planos de viagem para a Espanha. O time queseguiria direto para o aeroporto após o jogo, preferiu retornar para ohotel e só partir a pós o jantar. Era previsto que a Seleção deixasse aCapital Federal às 23 horas. Ronaldo é a única preocupação de Parreira. O jogador voltou a sentirdores e será reavaliado nesta segunda-feira.

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