Parreira deixa 5 de fora contra a Bolívia

Robinho, do Santos, será a grande novidade da seleção brasileira no jogo contra a Bolívia, em São Paulo no dia 4. Ele e outros 22 foram anunciados hoje, deixando de fora da lista cinco importantes jogadores. Não foram convocados Kaká, Cafu e Dida, do Milan, e Lucio e Zé Roberto, do Bayern de Munique, que não se apresentaram para o amistoso de amanhã contra o Haiti por imposição de seus clubes. O que deveria ser apenas um momento de alegria e festa para a seleção brasileira de futebol se tornou numa grande dor de cabeça para a comissão técnica. Hoje, o assunto mais comentado na seleção era o corte desses cinco jogadores. Extra-oficial ou mesmo abertamente, os atletas discutiram o tema. "Acho que é uma situação muito delicada, complicada para o jogador. O atleta deveria ficar de fora dessa disputa seleção contra clubes", opinou o atacante Ronaldo. "Por mais que o clube não permita, acho que o jogador deve tentar negociar", completou Roberto Carlos. O lateral do Real Madrid afirmou que é preciso dividir responsabilidades e não culpar só os jogadores. Quando os jogadores foram convocados para o amistoso contra o Haiti, a comissão técnica havia dito que o jogo serviria também para reunir aqueles que disputariam as próximas etapas das Eliminatórias. Mas como Milan e Bayern de Munique impediram a vinda dos atletas, o técnico Carlos Alberto Parreira decidiu não convocá-los para o jogo contra a Bolívia e também para o amistoso contra a Alemanha, no dia 8. Mas garantiu que podem voltar a integrar o grupo depois dessas duas partidas. "Não estamos punindo os jogadores, mas é importante que a CBF marque uma posição", disse Parreira. A comissão técnica pretende forçar os atletas que atuam no exterior a enfrentarem seus clubes. A idéia é não permitir que vetos como os do Milan e do Bayern de Munique sirvam de exemplo para que outros times europeus dificultem novamente a liberação de seus atletas. Essa decisão causou uma apreensão no grupo. Como a maioria deles estão presos a cláusulas rígidas de seus contratos, alguns consideraram radical a não-convocação dos cinco jogadores. "Não foram eles que não quiseram vir, mas os clubes que não deixaram. O que podemos fazer numa situação dessas?", indagou um atleta que joga também num clube do exterior. A comissão técnica entende que houve pouco empenho dos cinco não-convocados, inclusive do capitão Cafu. Os meio-campo Gilberto Silva e Edu, ambos do Arsenal, foram considerados exemplos de jogadores que não se curvaram às imposições de seus clubes - eles também haviam sido aconselhados a não participar do "Jogo da Paz". "Acredito que esse amistoso tem importância porque o Parreira poderá ver como estão os jogadores, já que estamos em início de temporada", disse Gilberto Silva, que está se recuperando de uma contusão. Novidades - Robinho foi convocado pela segunda vez para a seleção brasileira. Segundo Parreira, o jogador do Santos está atravessando uma boa fase, voltando a jogar um bom futebol. "Está fazendo gols e é bom que ele sinta que estamos acompanhando seu trabalho." Para a comissão técnica, outro destaque é o atacante Adriano, que já vinha atuando bem no seu time, a Internazionale, e provou que está preparado para atuar pela seleção depois de seu desempenho na Copa América. Mais que isso, ele seria um exemplo de que o atleta tem de valorizar o fato de ser convocado e estar à disposição do grupo sempre que possível. Ronaldo deve ser o novo capitão da seleção nos próximos dois jogos. Convocados: goleiros Julio Cesar (Flamengo) e Fábio (Vasco); laterais: Beletti, Roberto Carlos, Gustavo Nery (Werder Bremen) e Maicon (Monaco); zagueiros: Roque Júnior, Edmílson, Juan, Luisão (Benfica) e Cris (Cruzeiro); meio-campo: Edu, Gilberto Silva, Juninho Pernambucano, Renato, Ronaldinho, Alex (Fenerbahce), Júlio Baptista (Sevilla) e Diego (Porto); atacantes: Luís Fabiano, Ronaldo, Adriano e Robinho.

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