Parreira deixará o comando da África do Sul

Técnico decide sair devido ao desgaste e à distância da família; doze brasileiros são indicados para a vaga

Sílvio Barsetti, O Estado de S. Paulo

16 de abril de 2008 | 22h05

Carlos Alberto Parreira não vai continuar mais no comando da seleção da África do Sul. Ele vai rescindir seu contrato nos próximos dias e voltará para o Brasil. A informação, do Jornal Nacional da TV Globo, é o resultado do desgaste do técnico, que reclamava havia meses do isolamento a que estava submetido na África do Sul: basicamente, da distância dos parentes no Rio. "Tenho muitas saudades de minhas filhas e netos. É muito difícil lidar com isso", ele declarou, em sua última conversa com o Estado, já deixando escapar que poderia não cumprir na íntegra o contrato com a Confederação de Futebol da África do Sul. No final de 2006, ele acertou com os sul-africanos e foi o grande reforços do país-sede da Copa de 2010 para arrumar o time e promover o evento. Parreira, no entanto, estava cada vez mais sensível à ausência do convívio com a família. Ele tem três netos em idade pequena. "Quando pequeninos é que os laços se consolidam com os avós. Eu, aqui de longe, fico numa situação complicada, o coração aperta", dissera, no início de 2008, ao Estado. No final de março, a África do Sul derrotou o Paraguai por 3 a 0, num amistoso muito festejado pela crônica esportiva local. O time irregular - o único garantido na Copa de 2010, por ser o anfitrião do Mundial - não foi bem em 2007, foi eliminado na primeira fase da Copa Africana e tudo isso também deixava Parreira irritado. Parreira está na África com a mulher, Leila, mas passou seu aniversário de 65 anos, em 27 de fevereiro, com parentes e amigos mais próximos em seu apartamento, num condomínio luxuoso da Barra da Tijuca. Lá estavam, entre outros, Zagallo e Bernardinho. E na festa, o técnico da África do Sul, para onde se transferiu depois de dirigir a seleção brasileira na última Copa do Mundo, manifestou com mais ênfase sua vontade de voltar ao Brasil. "Ele dizia que não sabia até onde ia agüentar. Estava vivendo uma situação de incerteza muito grande", contou nesta quarta-feira um de seus melhores amigos ao Estado. Parreira havia acertado com a confederação local que de três em três meses viria ao Brasil nem que fosse para passar uma semana. Recebeu o aval, mas não houve unanimidade. Entre os dirigentes da entidade máxima do futebol da África do Sul, surgiram algumas críticas, de que Parreira deveria permanecer no país praticamente que em tempo integral, trabalhando para o sucesso da equipe no Mundial. Isso pode ter apressado a decisão de Parreira de romper o contrato. De acordo com a TV Globo, o treinador apresentou uma lista de 12 treinadores brasileiros que poderiam vir a substituí-lo até a Copa do Mundo.

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