Parreira lamenta pontos desperdiçados

O empate sem gols com a Colômbia, na quarta-feira, representou para a comissão técnica da seleção brasileira a convicção de que a classificação para o Mundial de 2006 só deve ser confirmada nas últimas rodadas das Eliminatórias. Antes mesmo do jogo em Maceió, Carlos Alberto Parreira admitira que o Brasil sentiria falta de quatro pontos perdidos em dois empates - com o Peru, em Lima, (1 a 1) e o Uruguai, em Curitiba (PR), ambos em novembro do ano passado. Contra o segundo maior rival sul-americano, a seleção chegou a estar vencendo por 3 a 1, mas permitiu a reação do adversário."Disputamos uma eliminatória muito equilibrada. Já se passaram dez rodadas e mesmo as seleções que ocupam os últimos lugares têm condições razoáveis de assegurar a vaga", disse o técnico, na madrugada de quarta-feira. Ele permaneceu em Maceió e só deve voltar ao Rio no fim de semana.Parreira não contava com o tropeço contra a Colômbia e só não deixou o Rei Pelé mais contrariado por causa de outro empate, entre Chile e Argentina, o que manteve o Brasil na liderança das eliminatórias. "Não mudou nada em termos de classificação." Embora tentasse demonstrar o oposto, o treinador ficou irritado com o resultado em Maceió. A seleção desperdiçou a oportunidade de abrir três pontos sobre a Argentina e de reunir o grupo em novembro para enfrentar o Equador, em Quito, numa situação bastante favorável. "Esses três pontos nos dariam uma folga; não podemos mais contar com isso." Para o coordenador-técnico Zagallo, o que a seleção vem tentando nas eliminatórias é evitar o "sufoco" das duas últimas edições do torneio, quando só conseguiu a vaga para o Mundial na última rodada. "Continuo acreditando que vamos obter a classificação antes disso. Mas com a perda de pontos em casa, a gente sabe que fica difícil alcançar uma posição tranqüila com tanta antecedência." De acordo com dados levantados pelo preparador físico Moraci Sant?Anna, a seleção criou 19 situações de gol na partida em Maceió, contra apenas três da Colômbia. "Não adianta agora ficar lamentando. A prioridade passou a ser o jogo com o Equador, na altitude de Quito; vem muita complicação pela frente, mas vamos nos sair bem", prosseguiu Zagallo.Ausência - Parreira deixou claro que o Brasil perdeu muito com o desfalque de Kaká, contra a Colômbia. O atleta não participou da partida por ter recebido o segundo cartão amarelo no jogo com a Venezuela. "Evidente que pelo bom momento que ele vive, pela experiência e pelo poder de decisão, o Kaká fez muita falta." O técnico chegou a comparar o estilo de jogo de Kaká com o de Alex, reconhecendo que o atleta do Milan se encaixaria melhor no esquema da seleção para furar o bloqueio dos colombianos. "O Kaká tem a característica de chegar como terceiro atacante; o Alex é mais de empurrar a bola. E exatamente o que fez falta ao Brasil foi essa chegada do Kaká." Daqui a duas semanas, Parreira vai anunciar a convocação para o confronto com o Equador. Ele poderá ter a volta de Kaká e de Juninho Pernambucano, cortado do jogo com a Colômbia devido a uma contusão. O treinador espera contar também com Gilberto Silva, que sofre de um problema lombar.

Agencia Estado,

14 de outubro de 2004 | 18h56

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