Parreira lamenta saída precoce do País

Nem todos os bons jogadores brasileiros estão nos melhores mercados da Europa. Há muitos atletas atuando em países como Rússia e Ucrânia, por exemplo. Estão por lá os meio-campistas Dudu Cearense e Elano e o atacante Vágner Love, todos convocados no último ano para a seleção - isso, claro, antes de irem para a "geladeira".O técnico Carlos Alberto Parreira admite que esses jogadores dificilmente farão parte do grupo que irá à Copa do Mundo do ano que vem, na Alemanha. "Você vê o Campeonato Russo? Eu não vejo", justifica o comandante da seleção brasileira.Para o treinador, jogadores como Elano e Vágner Love poderiam ter ficado mais tempo no Brasil até que pintassem propostas de países com mais representatividade no futebol, como Espanha e Itália. "Na maioria dos casos, dava para ficar mais um pouco no Brasil e esperar a proposta de um país com mais tradição no futebol", diz Parreira.Vale lembrar que, recentemente, o volante Magrão, do Palmeiras, deu "graças a Deus" por ter recusado uma proposta do futebol russo. "Preferi ficar e tentar uma vaga na seleção. Foi um risco, mas deu certo", disse o jogador, que estava no grupo para as partidas contra Peru e Uruguai, mas teve de ser cortado nesta sexta-feira por lesão.Para formar o grupo da seleção brasileira, Parreira tem uma lista de 60 jogadores. Toda terça-feira ele recebe um relatório detalhado sobre a participação de cada um desses atletas nas partidas de suas respectivas equipes. "Fico sabendo se jogou, se não jogou, se atuou 90 minutos, se saiu... enfim. Fico sabendo de tudo", conta o técnico. "E se pinta alguma dúvida, logo o Américo (Faria, supervisor da seleção) ou o Runco (José Luiz, médico) ligam para o atleta ou para o clube para saberem o que houve."Desses 60, porém, Parreira diz que pouquíssimos estão na Rússia, Ucrânia ou países da Ásia e do Oriente Médio. "É um ou outro, e olhe lá. Não dá para ver esses jogadores em ação", revela.Além de Elano e Vágner Love, Parreira cita como jogadores que poderiam ser convocados o zagueiro Rodrigo (ex-São Paulo), o atacante Daniel Carvalho (ex-Internacional) e até o atacante Kléber, que jogou menos de um ano no time profissional do São Paulo e logo foi negociado com o Dynamo de Kiev por US$ 2,8 milhões, em 2003.Para a Agência Estado, Parreira confessou que estava acompanhando com muito interesse a negociação do ex-palmeirense Vágner Love com o Corinthians. O atacante, porém, não conseguiu a liberação do CSKA, da Rússia, clube pelo qual disputa agora as quartas-de-final da Copa da Uefa. "Eu estava torcendo muito para que o Vágner viesse para o Corinthians. Trata-se de um ótimo jogador e que tem apenas 20 anos. Jogando aqui no Brasil, poderíamos acompanhá-lo mais de perto. Na Rússia, isso fica praticamente impossível", diz Parreira, que emenda: "É chato, porque o Vágner esteve na Copa América com a gente e, apesar de ter jogado apenas meio tempo, mostrou um potencial incrível. Ele tem muito futuro."

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