Parreira não joga toalha e ironiza Zico

Carlos Alberto Parreira não joga a toalha, apesar de o Brasil ter ficado em situação menos confortável na Copa das Confederações. O treinador aceitou o resultado, por conta do comportamento impecável do adversário na marcação, mas mantém postura otimista e aposta na classificação. Tanto que encontrou motivo para tirada bem-humorada na derrota em um estádio que não traz boas lembranças para a seleção. "Espero que o Zico volte mais cedo para casa, porque ele mora longe e a viagem é muito mais longa", afirmou, à saída do Niedersachstadion, o mesmo em que, 31 anos atrás a Holanda fez 2 a 0 sobre a equipe então dirigida por Zagallo, na semifinal daquele mundial. "A classificação está aberta para os dois lados", emendou. "O Japão perdeu a primeira, reagiu e está no páreo. Mas claro que acreditamos na vaga." Parreira mordeu e assoprou novamente, como ocorre em ocasiões em que a seleção tropeça. Como mandam o fair play e a boa educação, não contestou o placar, mas lembrou que a história do jogo teve dois momentos distintos. Em sua avaliação, o Brasil dominou no primeiro tempo, não soube aproveitar as oportunidades que surgiram e se complicou depois de ter sofrido o gol que consolidou a classificação dos mexicanos. "Tivemos 16 finalizações contra 3 do México na primeira etapa", observou. "Se tivéssemos aproveitado pelo menos duas delas, teríamos ido para o intervalo com grande vantagem", ponderou. "O México soube defender-se bem, mostrou coordenação, fisicamente se superou e não nos deu espaço depois de marcar o gol. Isso foi determinante." O treinador só não aceita que se fale em desastre para definir o que aconteceu em Hannover. Em sua opinião, o desempenho da seleção não foi um fiasco, embora tenha ficado aquém do que imaginava, sobretudo nos minutos finais. Mas, mesmo na derrapada, poupou jogadores. "O time teve o mérito de procurar o resultado, de não se entregar depois da desvantagem, nem deixou de acreditar", enumerou. "Nos últimos dez minutos, porém, prevaleceu mais o coração do que a técnica. Nessa fase, fomos descoordenados à frente e de novo prevaleceu o esforço físico dos mexicanos e sua postura defensiva muito eficiente." Parreira constatou ainda queda mais acentuada no rendimento físico de alguns jogadores, "talvez por causa da marcação". Por isso, fez duas substituições na metade do segundo tempo. "O Emerson estava desgastado e a entrada do Renato foi para recompor o setor e também porque ele desce bem para o ataque", justificou. Já a troca de Robinho por Ricardo Oliveira teria sido outra tentativa de aproximação de Adriano. "Tirei o Robinho com a consciência tranquila", explicou. "Ele tinha sempre dois ou três marcadores e não conseguia ficar próximo do Adriano. Naquele momento, eu precisava de dois pontas-de-lança e o Ricardo faz bem essa função." Parreira ainda apelou para a estatística para reforçar sua argumentação de que o Brasil não perdeu para um joão-ninguém do futebol. O técnico campeão do mundo em 1994 lembrou que o México não perde há mais de um ano e que seu último carrasco foi justamente a seleção. "Não ia falar isso, mas agora posso", desculpou-se. "Na Copa América do ano passado, ganhamos do México e de lá para cá ele não perdeu mais", insistiu. "Isso prova que é um adversário em evolução, que tem méritos." México - Ricardo La Volpe certamente agradece a lembrança. O treinador argentino que há quase três anos comanda os mexicanos encheu a bola de seu time, em aspectos que Parreira destacou. "Meus jogadores tiveram ordem do meio-campo para trás e se superaram do ponto de vista físico", reconheceu. "Consegui fechar os espaços brasileiros e impedimos as descidas dos laterais, que são sempre alternativa de ataque." O treinador do México, porém, apelou para a psicologia de almanaque para animar seus atletas. Antes da partida, ele recomendou ao grupo que não pensasse que teria pela frente o atual campeão do mundo. "Eu lhes recomendei que imaginassem que seria a Dominica o nosso adversário, assim não sentiriam tanto a responsabilidade", revelou. "Deu certo, e batemos mais um gigante do futebol." Gigante que viveu noite de Dominica, no fim das contas.

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