Parreira prevê vida longa para quarteto

Carlos Alberto Parreira não mudou o tom. Discreto, sem demonstrar euforia com o título da Copa das Confederações, avisou que agora o Brasil precisa aprender a conviver com o favoritismo até 2006. Garantiu também que o esquema ofensivo - quatro atacantes - terá vida longa se o time se comportar como hoje, quando aniquilou a Argentina em Frankfurt. E disse que Adriano e Ronaldo podem jogar juntos no Mundial da Alemanha. Agência Estado - Nesta quinta-feira completam 47 anos da primeira Copa do Mundo que o Brasil conquistou. Tem um sabor especial levar outra taça na Europa?Carlos Alberto Parreira - Foi muito bom. Foi muito importante para o Brasil disputar e conquistar esta Copa das Confederações. Serviu de um grande laboratório. Testamos 21 jogadores. Vencemos os donos da casa (Alemanha) e um adversário forte (Argentina), dois candidatos ao título da Copa de 2006. AE - Esta conquista não deixa a seleção brasileira ainda mais favorita ao Mundial do ano que vem? Parreira - Deixa sim. Vamos ter de aprender a conviver com este favoritismo.Desde que cheguei à seleção, em 1970, só vencemos as copas quando o time saiu do Brasil desacreditado, destroçado. Agora temos de trabalhar muito para que este favoritismo não nos afete. Colocar os pés no chão outra vez. E trabalhar forte. AE - Seu projeto para 2006 prevê a repetição deste esquema ofensivo que foi tão bem na Copa das Confederações? Parreira - Se o time jogar como jogou contra a Argentina, este esquema pode ir longe. Testamos aqui, enfrentamos dois grandes adversários (Alemanha e Argentina) e funcionou. Por isso não tem porque mudar. A avaliação do esquema foi boa. Se houver companheirismo como aconteceu neste jogo contra a Argentina, com todo mundo se doando, compactando o time, o sistema pode dar certo em 2006. AE - Ficou claro que, apesar do esquema ofensivo, Lúcio e Roque Júnior jogaram muito bem. Os dois sempre são criticados e você continua apostando na dupla. Parreira - Eles mostraram o valor que têm. São experientes e crescem quando têm a colaboração do time. Todos voltaram para ajudar na marcação. Lúcio e Roque foram muito bem. AE - Quais jogadores você destacaria da seleção? Parreira - O Adriano mostrou que cresce nos jogos decisivos. É um jogador contundente. O Ronaldinho mostrou que é o melhor do mundo. O Kaká, hoje, foi muito bem. Mesmo desgastado, lutou e ajudou o time. O Cicinho mostrou personalidade praticamente estreando na seleção em uma competição internacional desse porte. AE - Adriano e Ronaldo podem jogar juntos ou um deles vai te dar dor de cabeça? Parreira - Essa é a melhor dor de cabeça que todo treinador quer sentir. São dois grandes goleadores, artilheiros, que decidem as partidas. Teremos um ano pela frente ainda. Bem treinados, podem ser uma grande força do Brasil no Mundial de 2006, podem fazer a diferença. AE - Nas suas três passagens (1983, 1994 e 2003 até hoje) pela seleção, este time é que está dando mais prazer para você dirigir? Parreira - Me criticaram muito em 94, falaram em time defensivo. Mas naquela época era o que tínhamos à disposição. Montamos um time organizadinho, bem seguro e fomos campeões. Há 24 anos o Brasil não era campeão. Agora, se esta equipe de hoje se compactar, voltar quando perder a bola e atacar com esta volúpia, pode sim ser uma grande seleção. A geração é muito boa. AE - Este jogo contra a Argentina, que valeu o título da Copa das Confederações, foi a melhor exibição da seleção? Parreira - O Brasil jogou uma grande partida. Foi para cima, marcou forte a saída de bola deles, tocou a bola com velocidade e foi fatal nas finalizações. Perfeito, mano.

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