Parreira proíbe coreografia nos gols

Está vetada a comemoração de gols na seleção brasileira com coreografias extravagantes. A ordem partiu da comissão técnica da seleção, depois da polêmica surgida em torno das imitações de Ronaldo, Roberto Carlos, Robinho e Júlio Baptista nos últimos jogos do Real Madrid. Primeiro, eles representaram baratas numa posição em que os ?insetos? tentavam se movimentar com as pernas para o ar. Depois, fizeram o papel de coelhinhos e pularam sobre carniças. A opinião do treinador Carlos Alberto Parreira e do coordenador Zagallo se contrapôs à de vários jogadores. ?A forma como foi feita lá (na Espanha), no meu ponto de vista, não acho bonito, não gosto, não acho interessante?, disse Parreira. Mais tarde, diante da repercussão de suas declarações, ele não quis se estender sobre o assunto e até demonstrou uma certa irritação quando recebeu uma pergunta sobre o caso. ?Não estamos preocupados com isso. A seleção sempre foi modelo. Os jogadores sempre souberam se comportar adequadamente. Ninguém é contra a celebração. Pelo contrário, o gol é o momento maior do futebol. Evidente que há limites. Como em todos os setores da vida.? Para Ronaldo, a polêmica surgiu ?do nada?. Ele disse que o futebol vai perder se houver cerceamento nas comemorações. ?Como vai ser? Fazer gol e sair quietinho, sem mexer os braços?? O atacante lamentou que algumas pessoas estivessem incomodadas com sua atitude e de seus colegas no Real Madrid. Depois de responder à mesma pergunta várias vezes, acenou com a possibilidade de repensar as manifestações pós-gols. ?Não descarto a hipótese de parar com as coreografias, se isso serve para evitar problemas.? O lateral Cafu, capitão da seleção, saiu em defesa dos demais jogadores, antes de tomar conhecimento das declarações de Parreira. ?O futebol precisa de alegria. Se puder, entro nessa onda também. Daqui a pouco, vão querer proibir de fazer gol?, disse o atleta do Milan, pela manhã, quando se apresentou à seleção no Aeroporto Santos Dumont. Para Zagallo, quando o atleta está vestindo a camisa da seleção brasileira, tem de pensar bem nas atitudes. Ele citou um exemplo que considera clássico de coreografia positiva. O de Bebeto e Romário, na Copa do Mundo de 1994, na comemoração de um gol contra a Holanda, ao embalarem um bebê, numa referência ao nascimento do filho de Bebeto, Matheus. ?E se o cara resolve plantar uma bananeira? Vamos ter uma conversa, sim, mas uma coisa normal?, disse Zagallo, depois de falar que até no Real Madrid houve contestação da comemoração de gols dos jogadores brasileiros. ?Esse momento é coletivo, em que toda a equipe deve participar. Lá (na Espanha) a alegria parecia ser só deles (de Ronaldo e companhia).? O coordenador contou que fez algo parecido num amistoso com a África do Sul, em 1997. O técnico adversário festejou os dois gols iniciais de seu time correndo com os braços erguidos, fazendo curvas, numa referência a um pequeno avião. ?Então, o Brasil reagiu. Fez o primeiro gol e eu fiquei na minha. Empatou e eu me mantive sossegado.Quando o a seleção virou para 3 a 2, corri como um aviãozinho na direção do banco de reservas da seleção africana. Mas aquilo era uma resposta a uma provocação.? Treino ? No final da tarde, sob forte nevoeiro na Granja Comary, a seleção realizou treino rápido, de dois toques, numa área limitada do campo. Depois, Parreira ensaiou jogadas de ataque contra defesa e vice-versa. Pela distribuição dos coletes, não deu nenhuma pista de qual time escalará para o jogo com a Bolívia.

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