Parreira: renovação na Seleção já começou

O técnico da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira, aproveitou o desembarque hoje da delegação no Aeroporto Internacional Tom Jobim para veladamente mandar um recado aos descontentes com o seu trabalho. O treinador disse não ter ficado surpreso com as últimas três apresentações da equipe e ainda lembrou que a renovação ?cobrada? por muitos já começou. "Não estou surpreso. Acho que na hora certa o time está se encontrando e mostrando personalidade. Isso não aconteceria em um ou dois meses", afirmou Parreira, que sexta-feira volta a reunir o grupo, desta vez na Granja Comary, em Teresópolis, região serrana, para os treinos antes dos confrontos contra a Argentina, quarta-feira, e Chile, dia 6 de junho, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2006. "Estamos definindo jogadores e este trabalho precisa de tempo. A renovação já está acontecendo." Ao assumir a seleção em janeiro de 2003, Parreira relutou em mudar radicalmente o time que havia conquistado o título de pentacampeão Mundial, na Coréia e Japão. Lentamente, promoveu modificações para atender a seu estilo tático, desprezando a formação 3-5-2 em favor da 4-4-2. Dos atuais campeões permanecem na equipe: os laterais Cafu e Roberto Carlos, os zagueiros Roque Júnior, Lúcio e Edmílson, além dos atacantes Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho. "Temos um grupo alternativo e heterogêneo que vem jogando com personalidade", frisou Parreira, lembrando em seguida as vitórias sobre a Hungria e a Catalunha, além do empate com a França. "Os três últimos amistosos nos mostraram isso. Estamos no caminho certo." Até o momento, as maiores mudanças feitas por Parreira foram no meio-de-campo, com as entradas no time titular de Kaká, Juninho Pernambucano e Zé Roberto, nos lugares de Rivaldo, Gilberto Silva e Kléberson. Edmílson, antes zagueiro, passou a exercer a função de volante. No gol saiu Marcos e entrou Dida. E, pelas declarações do treinador, a próxima alteração deverá ocorrer na zaga, com a escalação de Luisão na vaga de Lúcio. Parreira também se mostrou atento às performances de Mancini, Edu e Júlio Baptista, que o encantou com o gol de bicicleta, o quarto da goleada por 5 a 2 sobre a Catalunha. Para ele, o importante neste momento da seleção é o fato de a qualidade técnica dos jogadores estar presente tantos nos titulares quanto nos reservas. E é com o objetivo de aproveitar a boa fase que Parreira pediu à torcida mineira "paciência" com a equipe na partida contra a Argentina. "Jogar em casa é sempre bom, desde que a torcida entenda que o gol pode sair no início, no meio ou no final", disse. Já o atacante Ronaldo, do Real Madrid, destacou que os argentinos são os principais rivais do Brasil e, por isso, a seleção precisa aproveitar a vantagem por atuar em casa. O jogador negou que as críticas recebidas, principalmente, sobre sua forma-física o tenha incomodado. Ronaldo recordou que está voltando de uma contusão muscular e, sob este aspecto, suas atuações foram boas. "O jogador é conseqüência do momento que vive. Se não joga bem, as cobranças existem. E nessa hora temos que se preocupar em trabalhar mais para melhorar", contou. E o coordenador-técnico Zagallo não desperdiçou a oportunidade de ?alfinetar? os argentinos. Esbanjando bom-humor, provocou: "É um jogo equilibrado, mas estou sempre dizendo que sou mais a amarelinha. Se alguém quer vingança, isso é com eles, porque temos cinco títulos de campeão mundial e eles apenas dois".

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