Parreira satisfeito e feliz pelo time

Carlos Alberto Parreira, assim como Hercule Poirot, herói de muitos romances policiais de Agatha Christie, gosta de método e ordem. Como essas características sobressaíram na estréia do Brasil na Copa das Confederações, o treinador campeão do mundo em 1994 voltou para a concentração feliz na noite desta quinta-feira. Feliz e convencido de que o torneio na Alemanha servirá para consolidar o esquema de jogo do time para o Mundial, além de trazer-lhe algumas certezas a respeito do grupo que o acompanhará dentro de um ano. Dúvida, acredita, apenas uma: como definir os dois atacantes, já que dispõe de muitas opções."Mostramos equilíbrio, solidez e solidariedade", enumerou o técnico. "A Grécia não conseguiu fazer suas jogadas de profundidade, que tanto surpreenderam na Eurocopa do ano passado, porque tivemos méritos", frisou, para emendar. "Rodamos bem no meio-campo, desequilibramos com jogadas individuais, e sobretudo atuamos com conjunto, como equipe, em que todos compreenderam suas funções." Em sua avaliação, o indício mais evidente de que o script foi seguido risca esteve no fato de que Dida fez apenas uma defesa - e quase no final da partida, com os 3 a 0 já consolidados. "Isso prova que o time soube rodar e, com isso, confundiu os gregos", observou, sem desmerecer os rivais, frágeis demais para quem entrou em campo com um título europeu no currículo. "Trata-se da mesma equipe que derrotou adversários de tradição em Portugal. Não é um time sem expressão." Bondade dele.Parreira ficou animado, ainda, com o comportamento do estreante Cicinho, de Gilberto e mais uma vez com a desenvoltura de Robinho. "O Robinho é uma realidade, tem longa estrada pela frente", destacou. "Os laterais tiveram comportamento muito satisfatório. Isso me dá confiança no futuro, temos perspectivas promissoras", imagina.O dilema, agora, é definir qual caminho seguir para o jogo contra o México, domingo, em Hannover. A tendência é a de que ocorram alterações, sem quebrar a base. Parreira pretende analisar mais o desempenho de Cicinho e de Gilberto, quer colocar Marcos de novo no gol, pode estudar até alterações no esquema. Só não definiu, ainda, se faz muitas modificações agora ou espera para garantir a classificação. "A vitória inicial me dá margem para essas alternativas", festejou. A apresentação serena do Brasil, diante de uma Grécia assustada depois do segundo gol, permitiu ao técnico tirar no meio do segundo tempo titulares incontestáveis como Ronaldinho Gaúcho e Kaká, sem alterar a forma de o time jogar. "São jogadores mais desgastados. Por isso, foi melhor que se resguardassem. Fiz isso sem quebrar o esquema tático." Ordem e método, diria Poirot para o capitão Hastings, seu escudeiro.

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