Parreira: ?sou pé-quente em estréias?

É com Renato, Deivid e Gil que o Corinthians de Carlos Alberto Parreira vai atacar o Fluminense em seu jogo de estréia no Torneio Rio-São Paulo, amanhã, às 16h, no Maracanã. O time terá liberdade. "Não podemos mudar nossas características", explica Parreira depois de observar hoje pela manhã o primeiro rachão de seus comandados, último treino antes do embarque da delegação para o Rio de Janeiro. "Não tem nada que o ser humano aprecie mais do que o que eles têm no dois-toques: a liberdade." Parreira considera-se pé-quente em estréias: "Não me lembro de ter sofrido nenhuma derrota, nem no Kuwait." Mas apesar do otimismo e da filosofia aberta de seu discurso, admite que o ataque do time ainda pode lhe causar algumas dores de cabeça. "O problema é que não houve acerto com Luís Mário e perdemos o Luizão na segunda-feira (machucou a coxa). Vamos contar com o Deivid, que é também um homem de área, e com o Gil, que ainda não é esse jogador de área mas está melhorando, crescendo muito, principalmente na armação." Gil está confiante: "Vou atuar da mesma forma de sempre, até porque eu e o Deivid já estamos habituados a jogar juntos. E o Fluminense não mudou quase nada, a gente já conhece." Mas o próprio atacante tem uma preocupação específica quanto ao jogo de amanhã. Sabe que o técnico não tem opções para o ataque no banco de reservas e precisa dar conta do recado para não forçar Parreira a adiantar Renato (seu quarto homem de meio-campo) ou Ricardinho. Zaga ?furada? - No dois-toques, o time de roxo perdeu as contas dos gols que marcou na equipe de coletes laranja, de Scheidt e Batata. Mas o fato de a zaga ter sido facilmente superada não preocupa Parreira: "Isso não tem nada a ver. Era só um jogo de casados contra solteiros." Para o técnico, em nenhum outro tipo de treinamento os jogadores se esforçam tanto quanto em rachão: "Eles correm, adoram. Estavam há 15 dias só treinando, treinando, e não viam a hora de se descontrair." Parreira conhece bem o Fluminense: "É um time que mantém a mesma base há três anos, tem excelentes atacantes, como o Róger e o Magno Alves, e jogando em casa pode querer crescer. Tanto que no Campeonato Brasileiro só perdeu um jogo em casa. Então, nesses momentos de pressão, a gente vai procurar fechar os espaços." Vampeta ainda está sem condições de jogo. Hoje ficou correndo sozinho em volta do campo, depois do treino. A expectativa do treinador é a de que o "segundo volante" entre em forma até o jogo de domingo que vem, contra o Americano. "A proposta inicial em termos de esquema tático é trabalhar com um cabeça de área, dois meias e três na frente, com um voltando mais para ajudar na armação. Mas vai depender do desempenho e da adaptação dos jogadores", explica Parreira. Para o jogo de amanhã, Rogério foi escalado no meio, e a lateral-direita ficou a cargo de Ângelo. Índio não renovou seu contrato (termina no dia 31, bem como o de Luís Mário), mas não foi essa a única razão para a opção do técnico: "Na verdade eu queria ver o garoto." Ângelo já teve uma experiência contra o Fluminense. Entrou no jogo em que o Corinthians foi derrotado por 2 a 1 em Limeira. "Lembro do Magno Alves, bom atacante." Jogando solto, praticamente no ataque, no dois-toques, o jogador "amaciava" sua chuteira branca. Marcarado? "As pessoas têm o direito de achar o que quiserem, mas daqui a uns três jogos, quando não estiver mais machucando, vou jogar com ela." Preocupação crônica - Parreira usa freqüentemente a expressão "homem de área". Confessa ter indicado alguns nomes à diretoria porque seu time não pode ficar sem esse atacante: "Teremos duas competições simultâneas a partir da terceira rodada, jogos de quarta-feira e domingo. O Luizão deve ser convocado pelo menos quatro vezes e a gente têm de resolver essa questão do ataque." O nome de Washington, da Ponte Preta, agrada o treinador. A expectativa de Parreira em relação ao Rio-São Paulo é das mais otimistas: "O Campeonato cresceu, mudou de formato, passou a ser ainda mais importante e tem de ser preservado." Contra o time que o consagrou no País, na conquista do Campeonato Brasileiro de 1984, não prevê manifestações marcantes nem da torcida carioca muito menos da paulista. "Ainda não tem clima para isso." Os tempos são outros. "Eu estava de férias no Rio em 1976 , na invasão corintiana (semifinal do Campeonato Brasileiro, quando milhares de torcedores do Corinthians foram ao Maracanã). Na época, trabalhava no Kuwait. Lembro que fui para Copacabana e vi a praia coberta de preto e branco. Nunca vi nada como aquilo na minha vida. E acho que jamais vou voltar a ver."O colombiano Oscar Ruiz será o árbitro da partida decisiva da última Copa Mercosul, entre San Lorenzo de Almagro e Flamengo, na próxima quinta-feira, em Buenos Aires. O jogo será disputado no estádio "Nuevo Gasómetro", do San Lorenzo, que havia sido interditado desde dezembro devido aos acontecimentos político-sociais ocorridos na Argentina. No primeiro jogo, dia 12 de dezembro, no Rio de Janeiro, as equipes empataram em 0 a 0. O árbitro Oscar Ruiz será auxiliado por Jorge Arango e Dember Perdoma, ambos também da Colômbia.

Agencia Estado,

19 de janeiro de 2002 | 15h09

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