Parreira: um retorno sem ousadia

O primeiro ano de Carlos Alberto Parreira na volta ao comando da Seleção Brasileira não foi animador. Em 12 jogos, venceu cinco, empatou cinco e sofreu duas derrotas. Convocou 59 jogadores. Nas Eliminatórias da Copa de 2006, em quatro partidas, conseguiu duas vitórias e dois empates, resultados que deixaram o Brasil em terceiro lugar - atrás do líder Paraguai e da Argentina. E o futebol nada empolgante.Parreira não fez nenhuma revolução no time. Apostou na base da conquista do penta que foi montada por Luiz Felipe Scolari na Copa do Mundo de 2002."Quem tem de mudar é a Argentina e França que saíram na primeira fase do Mundial. O Brasil é pentacampeão do mundo. Não há motivo para mudar tudo agora" ensinava o treinador quando assumiu o time no início do ano.Não mexeu na estrutura da Seleção e sofreu nos primeiros amistosos. Na estréia contra a China, um arrastado empate por 0 a 0. Depois, derrota para Portugal, de Scolari, por 2 a 1; empate sem gols contra o México; e uma sofrível campanha na Copa das Confederações na França - o Brasil foi eliminado na primeira fase."Nossa prioridade são as Eliminatórias. A Copa de 2006 começa agora", alertou Parreira, em agosto, depois do vexame na Copa das Confederações.Duas vitórias consecutivas - Colômbia (2 a 1) e Equador ( 1 a 0) - deram ao treinador a certeza de que o Brasil não sofreria como nas seletivas do Mundial de 2002. Os empates contra Peru (1 a 1) e Uruguai (3 a 3), na seqüência, devolveram o técnico à dura realidade: as Eliminatórias seriam tão difíceis como as anteriores.Faltou a Parreira no primeiro ano da volta um pouco mais de embocadura no trato da Seleção Brasileira. Na verdade, ele não queria assumir o time. Estava satisfeito no Corinthians, adaptado aos costumes do futebol paulista. Não admitia sofrer pressão e aborrecimentos comuns ao cargo de técnico da Seleção. Bastava o que havia sofrido até a conquista da Copa de 94.Ricardo Teixeira, presidente da CBF, não pensava assim. Armou uma estratégia de guerra para reconquistar o treinador. E disparou o telefone entre o final de dezembro de 2002 e início de janeiro de 2003. Fez chantagem emocional colocando Zagallo e o supervisor Américo Faria, íntimos de Parreira, para convencer o técnico a voltar.Depois de uma semana de apelos e muita conversa, o treinador resolveu trocar o Corinthians pela Seleção Brasileira. Prometeu ir até 2006. Ricardo Teixeira diz que garante o treinador até o Mundial da Alemanha, seja qual for a campanha nas Eliminatórias."A chance de o Felipão voltar na próxima Copa do Mundo é zero. Zero!", disse o presidente da CBF ao JT, em outubro.Felipão tem contrato com a Seleção de Portugal até o final da Eurocopa, em agosto de 2004. Vanderlei Luxemburgo, revigorado no Cruzeiro com o título nacional, goza do prestígio entre os que detêm o poder na CBF.

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