Parreira vê ?superação e coragem?

Antes do jogo, Carlos Alberto Parreira pediu a seus jogadores que esquecessem o cansaço e recorressem a toda força mental que pudessem. Em sua avaliação, a concentração - além da técnica - abriria o caminho da vitória e garantiria a presença do Brasil na final da Copa das Confederações. Por isso, assim que o chileno Chandía encerrou o clássico, no Franken-Stadion, o treinador entrou em campo para abraçar um por um a todos os seus atletas, com euforia que não lhe é muito comum."Foi um resultado da superação", festejou. "O time mostrou força, coragem e em nenhum momento se entregou nem desanimou", explicou, mais falanta do que nunca. "Tivemos pela frente uma Alemanha também motivada, jovem, que correu muito e teve apoio da torcida. Mas jogamos sempre peito a peito, de igual para igual, sem esmorecer." O comportamento da equipe foi um dos aspectos que chamaram a atenção de Parreira e o deixaram com sorriso aberto. Ele achou que, depois de momentos de vacilo contra México e Japão, a seleção voltou a atuar com eficiência, como ocorreu na estréia diante da Grécia. E, como tema recorrente, disse que a mudança foi conseqüência de postura mais decidida, provocada também por conta do caráter do desafio que tinha pela frente."Jogar com os donos da casa é motivação extra", reconheceu. "Sabia que o time teria outra reação, porque se tratava de jogo diferente", insistiu. "Destaco a seriedade dos jogadores, o espírito combativo deles. Além disso, não abandonamos nosso estilo em nenhum momento. Não deixamos de atuar à brasileira, nem nos descaracterizamos." Na véspera, Parreira chegou a insinuar que poderia fazer alterações táticas. A mais óbvia seria desmontar o quarteto ofensivo de meio-campo e ataque e reforçar a marcação. O técnico admitiu que isso lhe passou pela cabeça, muito rapidamente, mas que decidiu manter a equipe como estava para ver no que ia dar. "Estamos com essa formação desde o jogo com o Peru, pelas Eliminatórias, e não seria a hora de mudar", revelou."Pensei que a Alemanha, na casa dela, era a grande prova, a hora de testar de verdade, de arriscar", divagou. "Deu resultado. Os alemães começaram forte, mas soubemos achar espaços. No segundo tempo, dominamos." Parreira também teve reações fora de seus padrões. Durante o jogo, levantou várias vezes do banco, reclamou com o juiz, discutiu com o quarto árbitro, ajudou a repor bola em campo, vibrou como nunca a cada gol. A alegria estendeu-se nas longas e repetidas vezes em que teve de explicar o resultado. "A Alemanha está no caminho certo, dentro de sua escola, que é a velocidade", frisou. "Nós temos nosso jeito, que é mais na base do toque de bola, da criatividade, e também estamos crescendo." O treinador brasileiro saiu pela tangente, quando lhe perguntaram se preferia México ou Argentina como adversário na decisão de quarta-feira em Frankfurt. "Não tenho o direito de escolher rival", desconversou."Atingimos vários objetivos até agora: nos classificamos para a semifinal, chegamos à disputa do título e observamos jogadores", afirmou. Mas, no final, deixou escapar o que sentia. "Se o México jogar contra a Argentina com o mesmo empenho e a mesma vontade que mostrou contra o Brasil, certamente dará trabalho e pode surpreender." Já se sabe qual a revanche que Parreira prefere.

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