Parreira volta à Copa da África 40 anos depois

Técnico comandará a África do Sul a partir da semana que vem, e participa de torneio onde começou carreira

MARK GLEESON, REUTERS

17 de janeiro de 2008 | 13h30

Carlos Alberto Parreira, técnico daseleção sul-africana de futebol, volta na semana que vem adisputar a Copa Africana de Nações, 40 anos depois de teriniciado sua carreira de treinador nesse mesmo torneio. Parreira, que completa 65 anos em fevereiro, estréia peloGrupo D da competição em Gana contra Angola, na quarta-feira,na cidade de Tamale. Em 1967, recém-formado em educação física, Parreira aceitouum convite para treinar a seleção de Gana e se mudou para opaís. Com apenas 24 anos de idade, levou as "Estrelas Negras" àfinal da Copa da África de 1968. Gana perdeu a final para oCongo-Kinshasa (depois Zaire, hoje República Democrática doCongo). Desde então, Parreira passou por vários países do mundo, econsolidou sua carreira mundialmente com o tetracampeonatomundial do Brasil em 1994. Atualmente, prepara o jovem time daÁfrica do Sul para jogar, em casa, a Copa de 2010. A volta à Copa da África permite ao treinador, após afracassada campanha com o Brasil no Mundial de 2006, rever suacarreira. "A tática era tudo o que havia de revolução naquele tempo.Eu introduzi um sistema 4-3-3 numa época em que pouco sepensava nas abordagens pré-jogo", disse Parreira à Reuters emDurban, onde preparava o time para o torneio continental. "Os técnicos também não passavam muito tempo com seusjogadores. Eu ficava com meus jogadores quando eles eramobrigados a dormir em tendas militares num campo detreinamentos." Parreira lembra que o convite para treinar a seleção deGana partiu do governo brasileiro, que pagava seu salário comoprofessor. "Gana me dava cem dólares extras para as despesas",lembra ele. Por ser formado em educação física, o jovem Parreira já erachamado de "professor", o que tem um significado diferente paraGana, um país de colonização britânica. "Quando cheguei a Gana, todos se perguntavam como aquelegaroto podia ser chamado de professor. Eu estava muito animadocom o trabalho e muito determinado em fazê-lo bem, mas quandoeu contraí malária, tive certeza de que iria morrer", contou. Parreira também foi treinador do clube Asante Kotoko,campeão nacional e finalista da Copa do Campeões Africanos em1967. A equipe, porém, não quis fazer uma terceira partida dedesempate, e o título acabou entregue a seus adversárioscongoleses. "Mobutu (Sese Seko, então ditador congolês) desfilou pelocampo num tanque antes do jogo, e o árbitro ficou com muitomedo. Houve poucas decisões a nosso favor", lembra Parreira. Ele deixou Gana em 1968, para estudar na Alemanha, e emseguida foi contratado como preparador físico do Vasco. Doisanos depois, na mesma função, estaria na seleção brasileira quefoi tricampeã mundial no México. Já trabalhou também no OrienteMédio, na Espanha, na Turquia, nos Estados Unidos e em váriosclubes brasileiros. "Gana foi um lugar mágico para começar minha carreira, etenho boas lembranças daquela Copa das Nações Africanas. Lembrode receber uma medalha de Hailé Selassié, o imperador (daEtiópia, sede daquela competição). Estou ansioso para ver comoo torneio mudou nestas quatro décadas." Parreira deixou claro que a África do Sul representa umponto final em sua carreira. "Certamente. Estou na África doSul contra os desejos da minha família. Eles acham que eu jádeveria ter me aposentado."

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