Reprodução/Facebook
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Partido Nacional Corinthiano busca homologação: 'Vai ser o maior do país', diz secretário

Faltando 200 mil assinaturas, partido quer lançar candidatos para todos os cargos das eleições em 2018

Willy Delvalle, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

09 Novembro 2016 | 16h06

O Partido Nacional Corinthiano (PNC) é um dos 52 em formação no Brasil. Mas segundo seu secretário nacional, o advogado Marcelo Mourão, “depois de homologado, o PNC vai ser o maior partido desse país”. Para obter a homologação, seus membros mobilizam uma campanha a procura de voluntários. A missão é colher 200 mil assinaturas pelo país, que, de acordo com o partido, é o que falta para atingir o mínimo de 500 mil exigido por lei para registrar seu estatuto junto ao Tribunal Superior Eleitoral. Na visão de Mourão, há uma série de barreiras para criar novos partidos, mas para o PNC elas são maiores.

O partido foi formado em 2014 e não tem vinculação com o Sport Clube Corinthians. Ele é composto basicamente por torcedores. Segundo o secretário nacional, as torcidas organizadas são minoria nos diretórios. Uma das principais diretrizes é o “apreço e dedicação do torcedor corinthiano por aquilo que ele acredita. Transpor isso para a política é a linha ideológica do nosso partido”, explica Mourão. Um texto do presidente do PNC Juan Antonio Moreno Granjeiro expõe como maiores bandeiras do partido a saúde, a educação, o esporte e o meio-ambiente, “com apoio às organizações sociais na discussão democrática, sem exclusão de ninguém”. O PNC não se classifica nem como de esquerda, direita ou centro.

Um dos slogans atuais é “volte a sentir orgulho”. A origem dele estaria na grande dificuldade de propor aos torcedores a criação de um partido. “Os políticos têm denegrido a imagem do povo brasileiro. O torcedor já leva uma discriminação muito grande por ser corinthiano. E a política também é discriminada”, sustenta. Reforma política é uma das propostas do partido em formação, prevendo o fim das coligações partidárias.

No ano passado, o PNC solicitou a homologação do partido em nível nacional. O TSE rejeitou o pedido, alegando falta de documentos. Mourão explica que, durante o período, houve mudança na legislação eleitoral para criação de partidos e, com a nova lei, o PNC precisaria de um período maior para se adequar a ela, motivo pelo qual pediu o sobrestamento da análise. Segundo ele, houve “distinção de tratamento” contra o partido, em relação a outros, que tiveram as análises sobrestadas. “Pedimos a aplicação de uma legislação eleitoral mais branda e democrática para a criação do PNC”, diz.

Ele se refere à lei de quando o partido adquiriu personalidade jurídica. Mourão recorda que, em outro momento, o TSE manifestou que sempre deve ser aplicada a legislação da época de formação de um partido e não a lei vigente. Agora, segundo o advogado, o partido está na penúltima etapa para conseguir a homologação.

Um dos requisitos é ter, no mínimo, nove diretórios estaduais. De acordo com Mourão, seis já estão formados e outros três (Alagoas, Amazonas e Paraíba) aguardam a aceitação pelos Tribunais Regionais Eleitorais.

Um obstáculo, na visão de Mourão, é o projeto que tramita no Congresso Nacional propondo cláusula de barreira a partidos pequenos. Para o secretário nacional do PNC, a medida atende aos interesses de grandes partidos políticos. “É natural que haja dentro de um sistema de pluripartidarismo a segmentação. Criar dificuldades para a criação de novos partidos políticos não é democracia”, critica.

Ele menciona uma tendência no mundo de crescimento da temática esportiva no cenário político e econômico dos países. Cita a eleição da presidência da Argentina como um exemplo. Maurício Macri passou diversos cargos em clubes esportivos, dentre eles o Boca Juniors, que presidiu. Fala também da eleição de Alexandre Khalil (PHS) à prefeitura de Belo Horizonte, este ano. O prefeito eleito foi presidente do Atlético Mineiro. “O cara faz uma administração sensacional como fez no Atlético Mineiro, num momento em que os nossos atletas vão embora, ele atrai e conquista. O que é isso (o resultado eleitoral)? Foram só atleticanos que votaram neles? Pode ter certeza que não”, afirma.

No caso do PNC, Mourão vê um tratamento negativo por parte da mídia. Diversas notícias mencionam histórico de ocorrências policiais envolvendo o presidente do PNC, que já foi filiado ao Partido Verde (PV) quando era secretário municipal de meio ambiente de Ubatuba, no litoral paulista. Somado a isso, “a criação de um partido que tem vínculo com um grupo de torcedores de futebol é alvo de piada, visto como coisa interesseira”, observa Marcelo Mourão.

Ele cita a nota de repúdio da presidência do clube, divulgada este ano, ao partido. “O Corinthians repudia o uso oportunista do sentimento corinthiano”, dizia parte da nota, na qual afirmava que o clube soube da iniciativa por meio da imprensa. Marcelo Mourão afirma que é “mentira” que não sabiam da iniciativa política: “Nós fomos notificados pelo Corinthians quanto ao uso do nome. Ele não se opôs à homologação do partido”.

A esperança de seus membros está no “apoio do torcedor corinthiano para o crescimento”, aponta Mourão. “Em todos os 5 mil municípios do Brasil, tem corinthiano. As pessoas naturalmente se aglomeram, têm os mesmos problemas, uma mesma linha de comportamento”, defende.

O torcedor Thiago da Silva, de 22 anos, mora em São Paulo e diz que nunca ouviu falar no PNC. Mas que, seguramente, votaria em seus eventuais candidatos, pelo fato de serem corinthianos. Ele diz que não seria voluntário para captar assinaturas para formar o partido, por falta de tempo, mas que colaboraria com a sua assinatura. “Corinthians é mais do que um time, é uma família. A gente pode perder, mas continua junto”, explica.

A inspiração do PNC remonta à Democracia Corinthiana, movimento da década de 1980 que buscava descentralizar as decisões do clube, permitindo que jogadores e membros de comissões pudessem participar. Wladimir, Casagrande e Sócrates foram seus maiores expoentes, tendo o último se engajado nas campanhas por Diretas Já.

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