Passarella: Desábato não é delinqüente

O argentino Daniel Passarella, técnico do Corinthians, viu abuso de autoridade na prisão do jogador do Quilmes, Leandro Desábato, que chegou a ter de utilizar algemas quinta-feira. "Algemado! Parecia um delinqüente", comentou o treinador. "Passam muitos traficantes na fronteira aqui perto e não acontece nada com eles. Essa é uma situação bastante estranha", declarou. Passarella não acredita em vingança dos argentinos ou eventuais problemas na partida entre as duas seleções, marcada para junho, em Buenos Aires - válida pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2006. "Não ocorrerá nada. Vai ser tudo seguro. Será o jogo do ano", espera. Logo depois da prisão do atleta, o técnico fez questão de enfatizar que "a Argentina não é um país racista, o povo argentino não é um povo racista". O goleiro Fábio Costa, também do Corinthians, aplaudiu a atitude do atacante são-paulino Grafite, que denunciou a agressão, considerada racista, recebida na partida entre São Paulo e Quilmes, quarta-feira. "Isso não pode ser considerado algo normal. Acontece muitas vezes, mas é um absurdo que tem de ser combatido." O goleiro, porém, acha que a polícia está exagerando. "Punir, prender, tudo bem. Agora, acho que não precisava ter algemado o cara da forma como foi feita." O ex-jogador Casagrande e comentarista da TV Globo vai na mesma linha. Para ele, o episódio se transformou em um show policial. "Aquilo era uma coisa grave, não um espetáculo, ninguém precisava ser artista." E explica: "Achei exagerado o delegado (Osvaldo Nico Gonçalves) entrar em campo e prendê-lo lá", disse. "Também achei exagero o Desábato ser algemado. Ele não iria sair correndo e fugir."

Agencia Estado,

15 de abril de 2005 | 20h19

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