Passarella: "É muito difícil, mas dá"

Passarella foi o capitão de todos os times em que jogou. Ele sabe que em horas difíceis é preciso passar confiança dentro e fora do clube. Foi o que tratou de fazer nesta terça-feira, na concorrida entrevista coletiva que deu após o treino do Corinthians, que joga na quarta contra o Cianorte, no Pacaembu, precisando golear para seguir na Copa do Brasil."Não sou super-homem. Estou preocupado, muito preocupado mesmo com esse jogo contra o Cianorte. Sempre levo um maço de cigarros para as partidas. Desta vez, acho que levarei dois", brincou o técnico argentino. "Mas acredito no Corinthians. As nossas chances de classificação dependem da humildade, de reconhecer que é muito difícil fazer quatro gols no adversário."Agência Estado - Por que o Corinthians está nesta situação tão difícil?Daniel Passarella - Eu tenho grande parcela de culpa. Estava chegando ao Corinthians, foi a partida da minha estréia, não conhecia sequer os meus jogadores, quanto mais o Cianorte. O resultado seria outro se eu conhecesse o grupo como conheço agora. Mas ainda bem que temos uma chance de recuperação.AE - Já precisou vencer por quatro gols de diferença como técnico?Passarella - Já enfrentei vários jogos difíceis, mas tendo de ganhar por quatro gols nunca. Pelos vários momentos críticos que passei, aprendi que a vitória vem da humildade, da força de reconhecer os pontos fortes e fracos. Tenho um grupo de meninos que é humilde. Eles não posam de estrelas. Isso será importante na busca dessa vitória.AE - Qual é a estratégia do Corinthians? Como evitar que a pressão para vencer se transforme em desespero?Passarella - Saber o que fazer em campo é fundamental. Ter em mente que o Cianorte é uma equipe forte. E principalmente, ter confiança. São 90 minutos para fazer quatro gols e não sofrer nenhum. E um gol vem depois do outro. Não se pode fazer quatro gols de uma só vez.AE - A MSI montou esse milionário time e o contratou para dar resultados imediatos. O sonho de 2005 é a classificação para a Libertadores. Você e os jogadores sentem a pressão?Passarella - Não fujo da minha responsabilidade. Cheguei há 25 dias e o que ouvi foi que deveria montar o time para o Brasileiro. Mas se há a possibilidade de ganhar a Copa do Brasil, vou correr atrás. É o caminho mais curto para a Libertadores, não podemos desperdiçá-lo.AE - Se o time não conseguir a vaga, no que atrapalhará?Passarella - Eu tenho um plano A em caso de classificação, com o time usando o Paulista para treinar para a seqüência da Copa do Brasil. Se não conseguirmos nos classificar, vou sumir com o time por 10 dias para preparar para o Brasileiro. Ninguém vai saber onde. Mas vocês da imprensa serão avisados (risos).AE - Você tem se distraído jogando futvôlei. É verdade que ganhou todos os jogos?Passarella - Sim, é verdade. Na Argentina já era assim. Jogo para não ter barriga. Gosto de ganhar e ganho. Agora eu quero o Romário. Dizem que ele é o melhor do Brasil. Avisem a ele que está desafiado.

Agencia Estado,

05 de abril de 2005 | 22h13

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