Passarella e Roger se evitam no treino

A garoa fina de hoje à tarde no Parque São Jorge serviu para tornar ainda mais melancólico o treino no qual Roger e o técnico do Corinthians, Daniel Passarella, faziam de tudo para se manter afastados. O meia, cabisbaixo, de sorriso forçado e chateado por ter sido substituído pela quarta-fez consecutiva um dia antes, no empate com o São Caetano por 2 a 2, saía de perto assim que o treinador argentino se aproximava - e a recíproca também era verdadeira. Brincadeiras comedidas, um silêncio incômodo na maior parte do tempo, era nítido o desconforto e constrangimento de todos ao ver a espécie de baile que os dois promoviam: um para lá, um para cá. Momentos antes de o treino físico começar, Passarella reuniu o grupo, como sempre faz, mas dessa vez com o intuito de esclarecer não ter ocorrido qualquer briga entre ele e o jogador e que, certamente, a imprensa tocaria no assunto. Quem contou tudo isso foi o atacante Gil, que deu sua versão do ocorrido na noite anterior. "Fui para o vestiário e o técnico me disse que eu entraria. Naquela hora, o Roger estava sentado. Ele ouviu, se levantou e foi para o banho. Não aconteceu nenhuma discussão, nada", garantiu o jogador, que, por estar feliz, destoava do restante dos atletas. Gil entrou no segundo tempo, marcou um golaço e tem boas chances de reconquistar vaga na equipe. Para Fábio Costa, mais um boato sem fundamento foi criado. "O Roger respeita demais o Passarella e jamais se revoltaria com a substiuição", afirmou. "Todo mundo tem de se adaptar ao técnico, as vezes um jogador tem dificuldade em marcar, voltar para a defesa, mas tem de se esforçar para isso", diagnosticou o problema segundos depois o goleiro, uma das personalidades mais fortes do elenco corintiano. "Ninguém gosta de sair, mas tem de levantar a cabeça, mostrar o que sabe e que tem valor", aconselhou o também meio-campista Carlos Alberto. Talvez Roger faça isso no futuro, hoje fez o contrário. Em determinado momento, doze cones foram colocados sobre o gramado. Os atletas, dois a dois, deveriam correr em volta deles. Passarella tentou brincar com a primeira dupla, Gil e o meia Elton, arriscou uma risada pouco convincente e cochichou algo no ouvido do atacante. No entanto, deu dois passos para trás, disfarçou e saiu de perto do grupo assim que Roger e Roni (lateral) se adiantaram para fazer seus exercícios. Seus olhares não se cruzaram, não trocaram palavras. "Acho normal que o Roger se sinta mal, fique meio desanimado, isso aconteceu comigo também", comentou Gil. O diretor da MSI, Paulo Angioni, desmentiu a informação de que teve de apartar a discussão no vestiário do Pacaembu. A única atitude que tomou foi a ir atrás do jogador na sala onde seria feito o exame antidoping para acalmá-lo e confortá-lo após ser sacado do time.

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