Passarella: Kia apoiou a minha decisão

O que aconteceu com Fábio Costa foi um recado de Daniel Passarella aos demais jogadores. O fato de o goleiro estar seis quilos acima de seu peso ideal desde a chegada do técnico - ele assumiu na primeira semana de março - mostra que o treinador não vai perdoar desleixo entre os "galácticos". Com o excesso de peso, o goleiro perdeu reflexos e a confiança do argentino. "Eu só posso dizer que não foi a partida contra o Cianorte que tirou o Fábio Costa do Corinthians. Nem o jogo contra o Botafogo. Não vou entrar em detalhes em relação ao peso porque é assunto íntimo, interno. E os outros jogadores não podem ficar inseguros. Quando você todo mês paga o seu aluguel, ninguém vem te mandar embora de sua casa." A analogia é clara: quando todos os jogadores cumprem as suas obrigações, como manter o peso, ninguém é dispensado. "Estou de fato dois quilos e meio acima do meu peso ideal. Outros jogadores também estão. Foi passada para a gente uma dieta. Só que, pelo jeito, eu tive apenas dois dias para me adaptar a ela", disse Fábio Costa. "Não é verdade. O Fábio estava muito mais do que dois quilos e meio a mais. E está assim há muito tempo. Nós fizemos um treinamento intenso para ele perder esses quilos, mas não houve jeito. Não adianta exigir no treinamento e a pessoa comer demais em casa", rebateu o preparador físico Fábio Mahseredjian. "Nós chamamos até as mulheres ou mães dos jogadores e explicamos como preparar o alimento em casa. A nossa obrigação a gente faz para que ninguém engorde. Mas a participação do jogador é fundamental. Os quilos que o Fábio Costa está a mais não vou dizer por uma questão de ética", diz fisiologista Renato Lotufo. Muito sossegado - foi até o banheiro da abarrotada sala de imprensa antes de começar a falar -, Passarella também fez questão de dizer que o goleiro foi a primeira pessoa a saber que sairia do clube. "Eu o procurei depois do treinamento de segunda-feira e disse cara a cara, olhando nos seus olhos, que ele não fazia mais partes dos meus planos. Foi uma opção minha, futebolística. Falei porque daria tempo de ele seguir a sua vida em outro clube. É goleiro para jogar como titular, mas não comigo. Ele até agradeceu a minha sinceridade. Depois almocei com o Kia e falei da minha decisão. Ele a apoiou integralmente. Já estamos procurando outro goleiro. Mas se o Tiago e o Júlio César (o terceiro goleiro) forem bem, poderemos ficar com eles", disse Passarella. Além do peso, a condição técnica de Fábio Costa também incomodava o treinador. Nos treinamentos e na única partida em que Tiago jogou, contra a Portuguesa, o reserva causou melhor impressão. O técnico também gostava do comportamento humilde de Tiago. Bem ao contrário do titular. E Passarella "matou" Fábio Costa quando confirmou: "Na semana passada se divulgou que estávamos procurando um novo goleiro. Era verdade."

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