Passarella não se acha ameaçado

O argentino Daniel Passarella será o técnico que comandará o Corinthians no clássico contra o São Paulo, domingo, no Estádio do Pacaembu. A permanência do argentino no time foi definida na tarde de hoje, em uma reunião entre os dirigentes do clube e da MSI, no Parque São Jorge. Na parte da manhã, o treinador concedeu entrevista coletiva, como costuma fazer todas as sextas-feiras após o treino com os atletas. "Discretamente contente", como definiu, Passarella parecia encarar com naturalidade os momentos difíceis da equipe e as especulações de que seria demitido ainda hoje. Quando questionado sobre sua permanência, foi taxativo. "Se estou aqui é porque continuo. Vi muita cara de surpresa quando entrei", disse aos repórteres. "Acho que essa loucura de que eu iria renunciar saiu de uma pergunta da imprensa. Só que isso não existe." Passarella, no entanto, sabe que sua situação é delicada perante o grupo, a diretoria do time e da torcida, principalmente por causa do polêmico afastamento do goleiro Fábio Costa e da falta de bons resultados. O Corinthians ainda não venceu no Brasileiro - justamente o campeonato que é colocado como meta por Kia Joorabchian. Mesmo assim, não se sentia ameaçado. "Falei ontem (quina) com o Kia e (Paulo)Angioni em uma reunião de 3 horas. Me surpreenderia não continuar depois de delinear um futuro", explicou. Passarella deixou claro que pretende cumprir seu compromisso com o Corinthians até o fim do ano e que a multa contratual não é o motivo de sua permanência. "Não sei de termos econômicos." Passarella só demonstrou incomôdo quando foi informado, pelos jornalistas, da reunião que iria acontecer à tarde e das críticas públicas que membros da diretoria corintiana fizeram ao seu trabalho. Ontem, o vice de Relações Públicas, Francisco Papaiordanou, afirmou que iria pedir a queda do treinador. "Acho que não fiz nada para irritar os dirigentes. Isso chama a minha atenção, porque 2 ou 3 semanas atrás, todos vinham me abraçar", alfinetou. Problemas de bastidores à parte, o argentino reconhece que a equipe está longe de honrar o apelido de ?galáctica? e sustenta que é o único culpado pela eliminação da Copa do Brasil. ?Mas temos um jogo importante no domingo e sinto que o grupo tem uma grande oportunidade de voltar a ser competitivo.? Para tanto, acredita que ainda conta com a confiança dos jogadores e não acha que o time poderá boicotá-lo. ?Isso não existe. O jogador deve se preocupar em treinar, jogar e fazer um bom trabalho e o treinador tem a função de dirigir e tentar fazer o melhor pela equipe.?

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