Passarella nunca agradou a Sócrates

Daniel Passarella declarou nesta quinta-feira, ao assumir o cargo de técnico do Corinthians, que não tem nenhum problema com brasileiros. Ele se defendeu da acusação de que teria implicado com alguns jogadores do País no Monterrey, do México, clube que levou ao título nacional em 2003. Mas o episódio mexicano não é o único sinal de atrito com brasileiros na vida de Passarella.O ex-craque corintiano Sócrates teria dito em muitas oportunidades, para amigos próximos, que o argentino foi um dos responsáveis por sua saída da Fiorentina, na temporada 1984-85. Segundo o brasileiro, Passarella era o líder de uma "igrejinha", um grupo de jogadores, que não deixou Sócrates se ambientar no clube italiano. O Doutor acha que dois fatores motivaram a atitude: o fato de ele ser brasileiro e a derrota para o Brasil, na Copa de 82, na Espanha.O ex-volante Batista enfrentou Passarella em três confrontos decisivos do Brasil com a Argentina, nas Copas de 1978 e 1982 e no Mundialito de 1981, e não lembra do zagueiro adversário como um jogador que devotasse algum ódio especial aos brasileiros, acima da animosidade histórica entre os dois times. "A rivalidade fazia com que existisse de parte a parte a disposição para jogadas mais ríspidas", avalia, atribuindo eventuais excessos a circunstâncias de cada jogo. "Todos nós tivemos em algum ou outro momento de descontrole." Para ele, Passarella não era capitão por acaso. "Ele jogava muita bola, gostava de ganhar e mostrava sua disposição chegando junto nos adversários", recorda, justificando entradas viris do argentino. "Mas não acho que tenha sido desleal."Desleal, admite Batista, foi a falta que sofreu de Maradona na Copa de 1982. Ele esqueceu a bola e atingiu a virilha do brasileiro com a sola da chuteira. "Fiquei um tempo sem respirar", recorda. "Mas voltei e tive de jogar até o fim porque o Brasil não podia mais fazer substituição."

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