Passarella sonha com equipe vencedora

O argentino Daniel Passarella aproveita a localização privilegiada destinada aos técnicos no gramado para conhecer melhor o time do Corinthians, que amanhã enfrenta o Cianorte, em Maringá-PR, pela Copa do Brasil. "Estou há pouco tempo aqui (chegou há uma semana no País) e não me habituei a todos os atletas", justifica. O Corinthians pode eliminar a partida de volta caso vença por dois gols de diferença. Enquanto o treinador oficial não liga os nomes às pessoas, o auxiliar técnico dá as dicas. "O Márcio (Bittencourt) tem me dado ajuda, me diz quem é quem, em que lugar do campo cada um costuma jogar, essas coisas. Está sendo muito importante", reconheceu Passarella. Limitado ainda pela dificuldade com o idioma, o Kaiser faz planos nada modestos apenas a médio prazo: "Vou fazer de tudo para construir uma equipe vencedora. Quero ganhar o título brasileiro e conquistar vaga na Libertadores". Antes disso, muda pouco o time. Sebastian Dominguez, seu compatriota, recuperado de contusão, retoma a vaga na defesa (sai Betão). No meio-campo, Fabrício garantiu a posição de Marcelo Mattos. "Quero observar este atleta (Fabrício) mais uma vez, acredito que poderá ser bastante útil." Não à toa Fabrício era só felicidade hoje no Parque São Jorge: "Não esperava que tudo acontecesse tão rápido", disse. O volante passou nove meses afastado por causa de uma cirurgia no joelho. Voltou, marcou gol contra o União São João na vitória por 6 a 1, sábado, e agora é titular. Quem também deixou boa impressão no técnico foi o lateral-esquerdo Gustavo Nery, mais um recém-chegado e que ainda não estreou. "Me agrada muito o estilo de jogo do Gustavo, ele tem se dedicado bastante apesar de não estar em totais condições físicas", afirmou o treinador. "Devo aproveitá-lo no segundo tempo", antecipou. Ou as expectativas brasileiras estavam completamente erradas ou os argentinos não são mesmo tão rudes quanto foram pintados. Passarella, de boné virado para trás, bermudão e riso solto, abusou do bom-humor hoje. Brincava com os jogadores e certa hora caiu na gargalhada ao corrigir um posicionamento de Rosinei - provavelmente, o jogador não entendeu muito bem a piada, mas riu junto. Ao falar da família, contou ter um filho, Lucas, e um neto, de 1 ano e dois meses. "Não, não sou avô, sou o tio dele", disse. Entretido com as constantes ligações telefônicas de sua esposa, Graziela Del Venuto, que permanece temporariamente em Buenos Aires, mal teve tempo de andar pela cidade. Nem as churrascarias, paixão de todo portenho que se preza, pôde conhecer ainda. O que tem tirado seu sono é a dificuldade em se comunicar com os brasileiros. "Tenho de aprender português, não tem jeito." Ele, no entanto, descarta freqüentar aulas do idioma, como já faz o zagueiro Sebá duas vezes por semana. "Vai ter de ser na prática. Não sobra tempo para aprender. Se não estiver treinando ou concentrado com o time, estarei no telefone falando com a família", brincou. PUNIÇÃO - O Tribunal de Justiça Desportiva puniu por uma partida o zagueiro Sebá. No clássico diante do São Paulo, dia 27, ele se desentendeu com o atacante são-paulino Luizão. Cumpre suspensão domingo, contra o Santo André, e deve dar lugar a Betão.

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