Passo atrás

O PSG pode virar clube de expressão mundial. Ainda não é – e isso ofusca Neymar

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

07 Março 2018 | 05h00

Ronaldo Fenômeno tem escolhas controvertidas, fora do futebol. Mas durante a carreira de jogador mostrou tino para intuir oportunidades – de gol e de excelentes negócios. Não por acaso foi artilheiro extraordinário e faturou muita grana. Seus principais méritos foram as transferências bem-sucedidas como profissional. Do início ao fim soube manter-se em evidência e não entrou em barcas furadas.

Pois da experiência de quem transitou por Barça e Real Madrid, Inter e Milan, Cruzeiro e Corinthians, dois meses atrás fez uma observação sensata a respeito de Neymar: considerou um passo para trás a opção de debandar do Barcelona para o Paris Saint-Germain. Com a constatação óbvia de que o moço trocou um clube gigante e com lastro por um novo-rico, que sonha com saltos formidáveis. 

Presunção viável, com o dinheiro de que os franceses dispõem no momento, mas que leva tempo para tornar-se realidade. Reputação vencedora não se constrói com o estalar de dedos, não vem pela força da publicidade nem com talões de cheque à disposição para trazer quem os dirigentes e o treinador desejarem. Sequer com reunião de um monte de astros, por incrível que soe. Tudo ajuda, e só se consolida com história, paciência e perseverança. 

A constatação de que grandeza não nasce em poucas horas mais uma vez veio dos pés dos jogadores do Real Madrid. Os moços sob o comando de Zinedine Zidane mostraram ontem, no Parque dos Príncipes, que são a continuidade de uma tradição vitoriosa construída ano a ano, por décadas, com feitos notáveis no plano doméstico e internacional. A equipe espanhola precisava do empate para seguir adiante na Champions, após os 3 a 1 no Santiago Bernabéu, e tomou o voo de volta com 2 a 1. Pra não dar margem a discussões.

O Real foi melhor – e não houve nada de surpreendente no resultado. O conjunto é mais homogêneo do que o do PSG e prevaleceu a estratégia de Zidane sobre a de Unai Emery, contestado técnico do pessoal da turma da casa. Como se não bastasse, conta com Cristiano Ronaldo. Não há como contestar: na hora H, o português mostra como sabe ser decisivo; não nega fogo, aparece para mostrar que acumula troféus por méritos, arte e competência.

Não sei se Neymar pôde acompanhar a saga dos companheiros e tomara esteja a correr tudo bem na fase de recuperação da cirurgia. Mas fico a imaginar se não lhe passou pela cabeça o quanto o PSG precisa comer poeira para ter, no futuro, um pouco do lastro do Real Madrid. Não adianta voar no Campeonato Francês, onde nada de braçada diante da fragilidade dos rivais. O desafio maior é Europa – e nesse aspecto não passa de coadjuvante.

Ronaldo Fenômeno, pelo visto, não deu bola fora no comentário. Nessa toada, será difícil Neymar ser visto como o melhor do mundo. O talento individual conta, porém o tamanho do time tem influência enorme. 

Que Neymar veja o lado bom: se ficar em Paris por muito tempo, tem o desafio de transformar o PSG em potência. Daí, entrará pra galeria de imortais, com lugar no Pantheon...

ROMERO X SANTOS

Por falar em grandeza: vocês viram que deu bafafá e tanto o comentário de Romero, após o empate entre Santos e Corinthians, no domingo. O paraguaio saiu de campo irritado e tascou um “Time pequeno” para justificar a alegria do adversário pelo 1 a 1.

Foi polêmica pra cá e pra lá, com muito exagero, como se fosse o fim dos tempos. Romero ontem tentou justificar-se e engrossou o caldo, ao alegar que sofre racismo até pela imprensa. Se isso ocorre, deve denunciar os grosseiros. Na boa, bastava um pedido de desculpas e fim de papo. Falamos tanta bobagem de cabeça quente; depois, mais calmos, refletimos e voltamos atrás. Era o caso.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.