Pastor Müller à procura de um clube

Levando em conta apenas os números, Luís Antônio Corrêa da Costa, o Müller, é um dos maiores jogadores do Brasil nos anos 90. Suas conquistas são inúmeras. Participou de três Copas do Mundo - conquistou uma, em 94 - e ganhou todos os títulos mais importantes do futebol - Copa do Brasil, Brasileiro, Libertadores e Mundial de Clubes. No futebol paulista, passou pelos quatro grandes: São Paulo, Palmeiras, Santos e Corinthians. Hoje, aguarda convite para dirigir um time e, três vezes por semana, comanda missa em Belo Horizonte."Tive mais momentos bons do que ruins no futebol. Quando vou para São Paulo, torcedores de todos os times me cumprimentam", disse o ex-jogador.Oficialmente, encerrou sua carreira como atleta em 2004, com quase 39 anos, quando fez três jogos pelo Ipatinga, de Minas. Em seguida, assumiu a Comissão Técnica da equipe até o final do ano, iniciando carreira como treinador. Apesar de ter passado em vários clubes - foram dez ao todo -, Müller confessa que dois o marcaram muito, justamente os dois que protagonizaram o clássico de ontem, no Morumbi. "Tenho uma identificação muito grande com o São Paulo. Foi o clube que me revelou, que me projetou no futebol, me levou até a Seleção. Foi lá que ganhei muitos títulos. Foram dois Mundiais, duas Libertadores, dois Brasileiros".Porém, logo em seguida, faz um reparo: "Mas em toda a minha carreira - foram 20 anos jogando futebol -, nunca joguei em uma equipe tão boa quanto aquele Palmeiras de 96, o do ataque de 100 gols. Era uma equipe muito boa. Infelizmente só ganhamos um título paulista. Foi muito pouco", lamenta Müller que complementa: "No Santos, em 98, eu tive uma grande fase mas não dá para comparar."Choque-Rei - Sobre o clássico São Paulo e Palmeiras, Müller guarda boas lembranças: "Lembro de um São Paulo e Palmeiras, em 87, semifinal do Paulista. O São Paulo ganhou por 3 a 1, com dois gols meus. Foi marcante porque eu perdi um pênalti, mas me recuperei e fiz dois gols."Para compensar seu lado palmeirense, lembra de outro clássico, em 96: "O jogo foi lá em Presidente Prudente. O Palmeiras venceu por 3 a 2 e eu marquei dois. Os clássicos sempre nos marcam muito. São lembranças maravilhosas."O mato-grossense Müller acabou adotando a cidade de Belo Horizonte para fixar residência. "Foi onde meus filhos se acostumaram. É uma ótima cidade. De vez em quando eu vou para São Paulo cuidar dos meus negócios, mas sempre volto para cá", conta o jogador, casado com Jussara há 18 anos e pai de três filhos. E não abandonou a religião. Três vezes por semana, assume o ofício de pastor e comanda missa na sua igreja "Vida com Deus", em Belo Horizonte.

Agencia Estado,

21 de fevereiro de 2005 | 09h11

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