Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Pato admite pedir desculpas para torcida e companheiros do Corinthians

Pessoas ligadas ao presidente Gobbi já o alertaram que apostar no atacante pode ser um tiro no pé

Fábio Hecico e Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

25 de outubro de 2013 | 08h00

SÃO PAULO - A permanência de Alexandre Pato no Corinthians ficou por um triz depois que ele desperdiçou o pênalti decisivo contra o Grêmio, na quarta-feira, tornando-se o principal responsável pela eliminação do time na Copa do Brasil. Embora o atacante tenha chorado bastante após o erro e esteja disposto a pedir desculpas à torcida e aos jogadores, a diretoria espera apenas uma proposta satisfatória para negociá-lo bem antes do final do contrato, em 2016. A ordem é recuperar ao menos uma boa parte dos R$ 40 milhões investidos em sua contratação.

Pato terá aproximadamente dois meses, até a próxima janela europeia de transferências, para convencer a diretoria de que merece continuar. "Pelo potencial que o Pato tem, poderia ter jogado mais aqui. O fato é esse: cobra-se mais de quem tem mais para dar. Ele nasceu com um dom muito grande, mas ainda não conseguiu mostrá-lo aqui no Corinthians", disse o presidente Mario Gobbi.

Pessoas ligadas ao presidente já o alertaram que apostar no atacante pode ser um tiro no pé. "Não existe mais futebol neste time de um ano para cá. Não dá para acreditar na queda de desempenho. E olha o que o Pato fez...", comentou um integrante da comissão técnica, sem esconder o descontentamento com outras peças do time. O clima no vestiário esquentou após a eliminação na Copa do Brasil. Dois jogadores xingaram Pato e reclamaram de falta de responsabilidade e displicência. "Vários perderam pênaltis, não foi só ele. Agora, como foi batido é outra história. Ele não foi bem, tanto que não deu certo", condenou Gobbi.

O empresário Gilmar Veloz defende seu cliente. "Pato diz que não foi displicente. Ele teve de tomar uma decisão e o Dida conseguiu imaginar o que ele faria. Outros grandes jogadores já perderam penalidades". O atacante foi duramente criticado pelos corintianos nas redes sociais. Além disso, ontem, no desembarque da delegação em Congonhas, cerca de 20 torcedores cobraram também a saída do clube de Romarinho, Edenílson e Danilo. O fracasso de Pato contra o Grêmio foi apenas a gota d’água de um longo processo de desgaste do atacante no Corinthians. Ele tem sérios problemas de relacionamento e, muitas vezes, fica isolado nos treinos.

Desde sua chegada, no início do ano, companheiros reclamam que ele é antipático e adota uma postura de popstar. O jogador, portanto, terá de convencer também seus colegas de que merece continuar. "Pato está mais triste do que todos os corintianos. Os pênaltis são decididos individualmente e alguém tem de pagar a conta. Essa é a vez dele", disse Veloz.

O estafe do jogador afirma que ele não vai se esconder da torcida e garante que não existem preocupações adicionais com a segurança do atleta. Ontem, ele permaneceu em Porto Alegre para participar de uma audiência trabalhista e não desembarcou com o elenco em São Paulo – voltou sozinho e deverá treinar nesta tarde. "O inferno e o céu estão muito próximos no futebol. O segredo é trabalhar", aconselhou o empresário.

CIRURGIA

Guerrero superou o medo e foi submetido ontem a cirurgia no pé esquerdo. Ele voltará aos treinos em 30 dias.

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