Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Pato crê que ainda possa jogar uma Copa e lamenta soberba: 'Já estava segurando a Bola de Ouro'

Atacante publica carta no The Players Tribune, avalia carreira no futebol e detalha momentos importantes que vivenciou no Corinthians, São Paulo, Internacional e Milan

Redação, Estadão Conteúdo

31 de maio de 2022 | 21h48

Aos 32 anos, Alexandre Pato resolveu passar a limpo sua carreira. Em entrevista ao The Players Tribune, o atleta do Orlando City detalhou momentos de sua carreira, que de promissora e apontada para ser um dos maiores jogadores do mundo, acabou passando por vários momentos de contestação. Apesar disso, o garoto prodígio, que "explodiu" no Internacional, em 2006, aos 17 anos, se disse realizado: "Se a vida é mesmo um jogo, eu venci."

Alexandre Pato falou sobre seu desejo de defender a seleção brasileira em uma Copa do Mundo. Ele lamenta não ter participado dos Mundiais de 2010 e 2014, quando estava no auge, mas ainda acredita que possa ter chances de ser convocado e se espelha em outros atletas experientes.

"Estou em forma. Minha saúde está ótima. Ainda amo o futebol. Por que eu deveria estar amargurado? Só temos uma chance de viver neste mundo. Ainda acredito que posso disputar uma Copa. Veja o Thiago Silva e o Dani Alves jogando bem aos 37 e 39 anos. Mas essas coisas acontecem no tempo de Deus", escreveu Pato.

Em um texto em primeira pessoa, Pato faz perguntas a si mesmo e responde sobre momento impactantes de sua carreira. Desde os tempos do futebol de salão, passando pelo drama do acidente que quase lhe custou um braço e do sofrimento dos pais por ver o filho pequeno sair de casa para ir jogar no Internacional.

Daí, Pato conta do bullying sofrido nas categorias de base do Inter e, ao mesmo tempo, da carreira meteórica, ao atingir o elenco profissional antes da maioridade. A conquista do título mundial diante do Barcelona, de Ronaldinho Gaúcho, é um ponto importante. Ele guarda com carinho o fato de o craque ter lhe reservado a camisa daquele jogo, mesmo ele sendo um garoto.

BOLA DE OURO

A ida para o Milan e a falta de estrutura emocional para aguentar as cobranças e superar as várias lesões, causaram desconfiança por parte de dirigentes e torcedores italianos. Neste ponto, o atleta fala da ausência de alguém para auxiliá-lo no trato com as pessoas e revela que a falta de modéstia pode ter atrapalhado sua carreira.

"Sonhei demais. Por mais que eu me dedicasse no dia a dia, a minha imaginação me levou a vários lugares. Na minha cabeça eu já estava segurando a Bola de Ouro. É inevitável, cara. É muito difícil não se deixar levar. Sofri muito para chegar lá. Por que eu não deveria aproveitar o momento?", afirma.

Voltou para o Brasil, mas a passagem pelo Corinthians, onde conseguiu se livrar das contusões, acabou dando errado e ele saiu pela porta de trás. O bom momento no São Paulo o levou de volta à Europa. Ele afirma que esteve mais confortável no time do Morumbi, porque lá recebeu o carinho que faltou no rival alvinegro.

Por fim, Pato fala da importância que foi sua passagem pelo futebol chinês e o início da terapia, que lhe passou equilíbrio para superar as dificuldades. O casamento atual, a fé e a certeza do encontro do equilíbrio emocional, pessoal e profissional.

"Sim, eu não me tornei o melhor do mundo. Mas eu vou te falar uma coisa, cara. Vejo os meus pais com muito mais frequência - estamos recuperando o tempo perdido. Tenho um relacionamento maravilhoso com os meus irmãos. Estou em paz comigo mesmo. Sou um filho de Deus. Amo a Rê, a minha esposa. Do meu ponto de vista, eu tenho muitas Bolas de Ouro", finalizou.

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