Rodrigo Corsi/FPF
Rodrigo Corsi/FPF

Patrocinadoras do Palmeiras vão investir em árbitros no Paulista

Financiadora e faculdade terão nomes na camisa da arbitragem

DANIEL BATISTA, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2015 | 20h25

Durante o evento onde foi determinado a data e o local das partidas das quartas de final do Campeonato Paulista, a Federação Paulista de Futebol (FPF) anunciou que a Crefisa e a FAM vão patrocinar as despesas de arbitragem na reta final do Estadual e a decisão criou uma grande polêmica, já que a financiadora e a faculdade também patrocinam o Palmeiras, o que é ilegal, segundo a Fifa.

Pelas regras estabelecidas pela Fifa e que administram a arbitragem em todas as associações e federações nacionais, o que ocorre na FPF é ilegal. Para a Fifa, existe um "conflito de interesses" quando um dos times em campo é patrocinado pela mesma empresa que também patrocina a arbitragem.

Segundo o capítulo 15 da regulamentação internacional, árbitros podem ser patrocinados desde que não se crie um "conflito de interesse com patrocínio em um dos dois times em campo". Ou seja, que a empresa patrocinadora seja a mesma ou do mesmo conglomerado. "No caso de tal conflito, o árbitro não deve usar qualquer tipo de patrocínio", indica a Fifa.

A entidade com sede em Zurique ainda deixa claro que qualquer contrato de patrocínio para árbitros deve resultar em dinheiro que seria "reinvestido na arbitragem". Fica ainda proibido contrato com empresas de cigarro, cassinos, bebidas alcoólicas, assim como slogans políticos, racistas ou religiosos.

Em entrevista à ESPN, o Coronel Marinho, presidente da Comissão de Arbitragem da FPF, disse que a Fifa não interfere no Campeonato Paulista. "A Fifa manda e organiza os campeonatos dela. A Federação Paulista tem seu próprio regulamento, seu próprio jeito de agir e suas próprias regras. A Fifa faz o que quiser com os campeonatos dela, com os da Federação Paulista é a gente que resolve. Não vamos voltar atrás, não há nenhuma possibilidade", afirmou.

Pouco depois, a assessoria de imprensa da Federação soltou uma nota oficial explicando a situação. "O Coronel Marcos Marinho foi mal interpretado em suas declarações sobre as normas da Fifa no que tange a este tema. A norma da Fifa que apresenta restrições à exposição de marcas, no entendimento da FPF, tem caráter de orientação no que diz respeito ao Campeonato Paulista", disse o comunicado.

Sobre a polêmica, em si, a entidade alegou não ver motivos para discussão e que acredita na integridade de seus árbitros. "Este tipo de exposição de marca no uniforme dos árbitros é prática comum, não só no Brasil como fora dele. Por fim, a Federação Paulista de Futebol tem convicção que não há nenhum tipo de conflito de interesses no caso em questão", completou.

Quem também teve que vir a público para se explicar foi o Palmeiras, por meio de nota. "Respeitamos o direito dos nossos parceiros de promoverem acordos comerciais e de patrocínios com quaisquer entidades do seu interesse, sejam elas esportivas ou não", explicou.

A diretoria palmeirense, ainda através do comunicado, ainda deixa claro ser contra qualquer relação de que possa ocorrer alguma vantagem para o clube por conta do patrocínio. "Qualquer ilação que se faça entre o negócio e um eventual favorecimento ao Palmeiras no campeonato é um desrespeito inaceitável ao nosso clube, aos nossos jogadores, à Federação Paulista de Futebol, à Crefisa, à FAM e aos torcedores", finalizou.

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