Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Patrocinadores da Copa fazem acordo com comerciantes da zona leste

Parceiros da Fifa aproveitam 'área de exclusão' para divulgar marcas em estabelecimentos de Itaquera

Pedro Hallack, especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

30 de maio de 2014 | 07h00

SÃO PAULO - Quem andar pelos arredores da estação do metrô Artur Alvim, próxima à Arena Corinthians, perceberá a grande incidência da cor vermelha no local. É neste tom que as empresas patrocinadoras da Fifa estão pintando estabelecimentos comerciais localizados nas proximidades do palco de estreia do Brasil na Copa do Mundo.

Beneficiados pela Lei Geral da Copa, que não permite a promoção de marcas concorrentes das que já patrocinam o mundial em um perímetro de até 2 km em volta dos estádios, os parceiros da entidade aproveitam para divulgar as respectivas marcas na região.

Comerciantes do local explicaram que o acordo com as empresas que patrocinam o evento não prevê a venda exclusiva de seus produtos aos clientes. As negociações entre ambas as partes ocorreram individualmente, com cada estabelecimento solicitando diferentes contrapartidas para ter a sua fachada pintada e o seu interior decorado. Dos nove locais visitados pela reportagem que passaram por algum tipo de mudança, em seis deles os acordos se deram de maneira informal, sem a assinatura de contrato.

Como no caso do comerciante José Lima, 39, para quem a pintura na frente, a decoração interna de seu bar e a instalação de dois frigobares pagas pelos patrocinadores, Ambev e Coca-Cola, foram suficientes. "Foi bom para mim. Antes era tudo feio, pichado e agora todo mundo veio me dar os parabéns por ter ficado mais aconchegante", afirmou.

Sócio de uma padaria nas imediações da estação Artur Alvim, Everaldo Lima, 36, foi quem procurou as empresas parceiras da Fifa para ter a sua fachada decorada. "Como já compramos de ambos (Coca e Ambev), procurei-os para ver se eles podiam renovar a fachada para mim. Então eles (da Coca) propuseram a pintura da frente, e eu acabei fechando o acordo no começo deste ano, depois de incluir a instalação de um toldo na negociação", explicou.

Seguindo uma linha mais desconfiada, Wilson Macedo, 46, um dos sócios de uma lanchonete, conta que pediu 10 caixas de cerveja para fechar o negócio. "Não sou bobo de fazer propaganda de graça para os outros", afirmou.

Dos 10 estabelecimentos visitados pela reportagem, apenas um, da rede supermercados Extra, não aceitou ter a fachada pintada de vermelho. "Recusamos por causa da política da empresa, que não quer descaracterizar a nossa marca", disse o gerente Rodrigo Caetano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.