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Investidores querem pessoa fora do futebol para comandar Fifa

Kofi Annan é possível candidato; Coca-Cola pede 'líder eminente'

Jamil Chade, Correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

18 de julho de 2015 | 17h00

Joseph Blatter está sob forte pressão. A Europa e alguns dos maiores patrocinadores da Fifa querem que uma pessoa fora do mundo do futebol assuma a entidade para organizar uma transição na entidade, promover uma reforma e permitir que as suspeitas de corrupção sejam de uma vez por todas afastadas. A ideia que circula é de que uma pessoa no estilo do ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, assuma de forma interina a Fifa. 

Na segunda-feira, a Fifa volta a se reunir, no que representa o retorno dos cartolas de todo o mundo para o mesmo local onde viram seus colegas serem presos, no dia 27 de maio. Ela servirá para acabar com o mistério se Blatter será ou não candidato uma vez mais ao cargo de presidente. Mas ele vai receber um duro alerta dos europeus, que pedirão para que ele abandone imediatamente o cargo de presidente.

Tanto os europeus quanto os patrocinadores exigem que uma personalidade independente assuma a entidade para garantir a reforma. Um dos autores da proposta é o diretor da Federação Holandesa de Futebol, Bert van Oostveen. "Essa é a única forma de evitar uma guerra tribal entre europeus, sul-americanos e africanos", disse. "A única salvação é a de dar a administração para alguém com credibilidade e que mude o sistema", afirmou. 

A proposta circula entre os membros da Uefa e Annan, por sua vez, teria indicado que estaria disposto a ser considerado ao cargo. Essa não seria a primeira vez que uma personalidade política assumiria uma entidade esportiva. A União Ciclista Internacional, depois dos escândalos de doping, passou a ser comandada por Dick Marty, um ex-senador suíço e que, no Conselho da Europa, investigou as prisões secretas mantidas pelos EUA pelo mundo. 

Entre os patrocinadores, a Coca-Cola já entregou para a Fifa uma carta na semana passada exigindo uma solução no mesmo estilo: a nomeação de uma ou mais pessoas independentes que possam assumir a reforma da entidade. Na carta de 9 de julho, a multinacional e um dos parceiros comerciais mais antigos da Fifa exige "um eminente líder imparcial para administrar a reforma". Em um comunicado, a empresa confirmou que quer uma comissão independente para "reconstruir a confiança que foi perdida".  

RESISTÊNCIA

Blatter, porém, promete não abandonar o barco. Para legitimar sua permanência, ele vai propor algumas das reformas que já vinham sendo solicitadas há anos e que ele mesmo jamais realizou. Uma delas se refere às regras para que países possam se candidatar para receber a Copa do Mundo. 

A proposta é de que, a partir do Mundial de 2026, candidatos não sejam autorizados a oferecer investimentos em países que tenham votos na escolha das sedes. Segundo as investigações do FBI, milhões de dólares foram gastos por governos como o da África do Sul e mesmo pelos ingleses em "academias de futebol" em países cujos dirigentes tinham influência na votação. A suspeita é de que, por baixo desses recursos, também estavam milhões em subornos. 

Na estrutura da Fifa, duas medidas estão entre as prioridades para o encontro. Um delas é a de colocar um limite para mandatos de dirigentes, reduzindo os incentivos para clientelismo e subornos. A outra medida seria a exigência de uma ficha limpa aos cartolas. 

O encontro também servirá para definir a nova data das eleições. Blatter garantiu no dia 2 de junho que não seria candidato. Mas depois deu sinais de que poderia mudar de ideia, se tivesse apoio suficiente. Ele defenderá uma eleição apenas em 2016.

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