Patrocínio abre crise na seleção alemã

Quem é que escala um jogador para uma seleção: o técnico ou o diretor de marketing da empresa patrocinadora? Nos últimos dias, os torcedores europeus começaram a colocar essa questão depois que a relação entre a seleção alemã e seu principal patrocinador, Adidas, gerou uma nova polêmica no futebol europeu sobre a influência das empresas sobre a escalação de equipes. O técnico da equipe nacional, Jurgen Klinsmann, afirmou ao jornal Sport Bild que nenhum jogador será autorizado a entrar em campo pela seleção se não estiverem usando chuteiras feitas pela Adidas. "Não haverá nenhum jogador alemão com outra chuteira que não seja Adidas , afirmou o técnico.Em outubro do ano passado, o goleiro Lehmann foi informado pela direção da seleção alemã que precisaria jogar com luvas da Adidas, e não com as suas, feitas pela Nike. Ele acabou sendo punido por atuar em um jogo contra o Irã sem cumprir a recomendação. Os cartolas alemães ameaçaram inclusive deixá-lo de fora da seleção para a Mundial de 2006, que será disputado na Alemanha e patrocinado pela Adidas.Apesar de ser conhecido o peso dos patrocinadores no futebol, o que chamou a atenção nesta semana foi a decisão do técnico da Alemanha de apoiar abertamente a empresa. Klinsmann tem um contrato com a Adidas para fazer publicidades e disse que se qualquer jogador afirmar que precisa vestir algo de uma marca alternativa, ele pode ficar em casa e e ver os jogos pela televisão".O problema, porém, é que muitos jogadores da própria seleção alemã contam com contratos individuais com outras empresas, entre eles Dietmar Hamann, Philip Lahm, o artilheiro Miroslav Klose, Thomas Brdaric e outros oito jogadores.A Adidas garantiu ao Estado que não haverá alternativas possíveis aos jogadores alemães. Temos um contrato e as regras são claras, afirmou um porta-voz da empresa, lembrando que são os responsáveis não apenas por fornecer material à seleção alemã, mas por produzir a bola do Mundial de 2006. Outras empresas do mesmo setor não poderão ter publicidades nem nos estádios nem nas proximidades dos eventos. A Nike, por exemplo, não poderá ter um poster do Ronaldo em frente a um estádio , disse o porta-voz.Um incidente com um jogador fora da Alemanha já foi registrado nos últimos meses. Robert Pires, da seleção francesa, foi multado em 50 mil euros por vestir uma camisa da Puma em uma conferência de imprensa de sua equipe nacional. O problema era que a França também era patrocinada pela Adidas. A multa imposta pela federação francesa foi superior à punição imposta pela Uefa sobre jogadores acusados de fazerem comentários racistas.Consultada pelo Estado, a Fifa disse que não teria nada a comentar sobre a relação entre patrocinadores e seleções. Segundo a entidade, a única regulamentação existente é quanto ao tamanho do logotipo das empresas nos uniformes, inclusive nas chuteiras, usadas em jogos internacionais. O primeiro teste real dessa polêmica será a Copa das Confederações, que ocorre em julho na Alemanha e é tida como um ensaio geral para o Mundial de 2006.

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