Paulista: sucesso começa na administração

Não é por acaso que o Paulista de Jundiaí é a sensação do futebol de São Paulo. De acordo com Eduardo Palhares, presidente do clube, o forte trabalho nas categorias inferiores e, acima de tudo, a administração austera e criativa das contas têm ajudado o técnico Zetti a fazer um ótimo trabalho no Campeonato Paulista e se preparar bem para a Série B do Campeonato Brasileiro, que começa em abril.No Paulistão, a equipe lidera o grupo 2, à frente de Santos e Palmeiras, e tem o segundo melhor aproveitamento, perdendo apenas do São Paulo, que é da outra chave. Na semana passada, deu-se ao luxo de golear o Santos por 4 a 0. E ontem chegou à sétima vitória: 2 a 1 no Mogi Mirim, em Jundiaí. "Hoje nós temos todas as contas zeradas", diz, com orgulho, o dirigente. "Aqui é assim: temos uma planilha e, se qualquer coisa ultrapassar o planejamento e a planilha acusar ?vermelho?, descartamos. O orçamento é a base de tudo. Se tivermos de comprar uma atadura a mais, teremos de comprar alguma outra coisa a menos, senão o computador não libera."Essa foi uma das mais importantes medidas para que o Paulista não seguisse o caminho da maioria dos clubes do interior de São Paulo: a falência. "Há pouco mais de um ano, colocamos em xeque o que seria o Paulista nos próximos anos, porque muitos clubes simplesmente estavam deixando de existir. Fizemos uma auditoria, contratamos o professor João Paulo Medina e fomos atrás das deficiências e dificuldades. Fomos atrás de recursos que o clube poderia trazer", conta Palhares.Os dirigentes criaram um plano para atrair investidores. Eles apostam muito no forte trabalho de base, revelador de muitos jogadores, como Nenê e Marcinho, para que clubes de porte se interessem pelo Paulista. E deu resultado. "Lançamos o projeto na Europa e o PSV se interessou", afirma o presidente.Os contatos com o clube holandês já foram iniciados e a parceria está muito próxima de ser fechada. Especula-se que o PSV investirá US$ 2 milhões ao ano. Por ser um bom revelador de jogadores, o Paulista espera lucrar. "Se, por exemplo, vendermos um jogador por US$ 5 milhões, que não é muita coisa para clubes europeus, teremos nossa receita garantida por uns cinco anos", explica Palhares. Detalhes da parceria serão revelados só quando o contrato for assinado.O clube tem o Estádio Jaime Cintra, com capacidade para 18 mil torcedores (a polícia, entretanto, libera apenas a venda de 15 mil ingressos). Ainda falta um centro de treinamento. Isso está totalmente vinculado à parceria com os holandeses. "Não tenha dúvida de que para termos um CT, dependemos dessa parceria, pois não temos recursos", diz Palhares.Outra aposta é na Série B. Como os holandeses vão querer sua marca em evidência, os investimentos no time para buscar o acesso podem ser grandes. A folha salarial do clube como um todo fica entre R$ 180 mil e R$ 200 mil. O custo do departamento de futebol é de R$ 100 mil ao mês.Salário baixo exige jogador jovem. E para comandar esta juventude, a diretoria não demorou para definir o treinador, que tem tido muito sucesso no Campeonato Paulista. "Precisávamos de um técnico que se enquadrasse nos nossos princípios. E escolhemos o Zetti, que já havia trabalhado com os juniores do São Paulo", lembra Palhares. O Paulista é o primeiro time profissional dirigido pelo ex-goleiro. "Como temos um orçamento pequeno, teríamos de achar um profissional que se adaptasse a isso, mas também que tivesse muito profissionalismo e correção, coisas que o Zetti tem", afirma o presidente, que disse que a comissão técnica é sempre definida pela diretoria. "Trazemos só o treinador. Os auxiliares e preparadores são nossos."A fase anda ótima, mas Palhares acha que pode ficar ainda melhor. "Ainda nem estreamos dois jogadores, o Fábio Mello (ex-São Paulo) e o Roberto Santos (ex-Santa Cruz)." Eles devem atuar na segunda fase.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.