Paulista usou de artimanhas na final

Além do futebol eficiente apresentado na vitória sobre o Fluminense, por 2 a 0, pela primeira partida da decisão da Copa do Brasil, o Paulista, apesar de disputar uma final de competição nacional pela primeira vez em sua história, mostrou experiência de veterano no que diz respeito às artimanhas utilizadas extra-campo. A ponto de irritar os adversários e de sofrer até ameaças de revide no jogo de volta, dia 22, no estádio de São Januário, no Rio. Nesta quinta-feira o presidente do Fluminense, Roberto Horcades, esbravejou contra uma suposta "canseira" que os batedores jundiaienses deram na delegação carioca. "A vontade que dá é de dispensar a eles o mesmo tratamento, mandando-os para a Favela da Maré ou Complexo do Alemão", disse o dirigente, se relacionando ao fato do time ter chegado ao Estádio Jaime Cintra apenas 40 minutos antes da partida. Em sua defesa, o Paulista alega que o trânsito na cidade estava congestionado e que, portanto, o Fluminense teria que ter saído antes de sua concentração, na vizinha cidade de Campinas, distante 45 quilômetros de Jundiaí. A direção do clube não espera o troco no Rio, mesmo porque se considera inocente na acusação. As táticas de "guerrilha" utilizadas pelo time de Jundiaí ainda puderam ser percebidas em outros pontos do estádio. No campo, os jogadores do Fluminense escorregavam mais do que o normal e, em alguns lances, como um protagonizado pelo lateral Gabriel logo no início da partida, até passavam vergonha. Estas cenas foram reflexo de cerca de uma hora de enxágüe do gramado por funcionários do clube, cerca de três horas antes do jogo. Para a torcida as armas eram outras. Apitos, bandeiras e bexigas foram distribuídas, fazendo com que os mais de 14.500 mil torcedores parecessem o dobro. Em compensação, os 1.500 lugares destinados aos torcedores visitantes não estavam ocupados no início do jogo, porque quatro ônibus que partiram do Rio de Janeiro e chegaram em cima da hora à Jundiaí tiveram que passar por uma revista rigorosa dos policiais, o que comprometeu a parte inicial da decisão. Este tipo de procedimento já é também usual por parte da PM da cidade, embora a alegação é de que uma arma de fogo foi encontrada, à tarde, com elementos ligadas às torcidas organizadas do Fluminense. Durante a semana, o técnico Vágner Mancini entrou na onda do mistério e não divulgou a escalação da equipe até momentos antes do jogo. A dúvida era entre o time jogar com três ou dois volantes. Mancini acabou escolhendo pela segunda opção e, com uma postura ofensiva, pressionou o adversário por quase todo o jogo. "Achei que ajudou sim, pois o Abel é um técnico muito estrategista, até na hora de dar entrevistas", avaliou, após o triunfo. De um jeito ou de outro, a vitória em casa deixou o Paulista com ampla vantagem para o segundo jogo, quando poderá perder por 1 a 0 ou ainda decidir o título nos pênaltis em caso de uma derrota por 2 a 0. "Temos uma boa vantagem, mas precisamos agora saber administrá-la", finalizou Mancini. Sábias palavras para definir a situação do desafio final em busca de um título inédito.

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