Paulistanos, com frio, vão por Romário

Se Romário realmente não percebeu que sua época passou, se virou peça de museu, como se costuma dizer sobre o atacante, qual a explicação para tantas pessoas terem saído de casa nesta quarta-feira, na fria noite paulistana, para vê-lo fazer sua despedida da Seleção Brasileira, no Pacaembu? "Ele já não é o mesmo de antes, deixou de ter a arrancada da época de garoto, mas nunca vai deixar de ser um gênio", comentou Sueli Borges. Ela tem 38 anos, um a menos que o jogador, e se diz grata ao Baixinho. "Por causa dele tive alguns dos momentos mais felizes da minha vida, quando o Brasil ganhou o tetracampeonato na Copa de 94, por exemplo, ou todas as vezes em que ele marcava gols, e sempre marcava, contra o Corinthians." Sueli é palmeirense. Ela, o irmão Ricardo Borges e o amigo Anderson Caiasso torcem para o mesmo time. "Todo jogo que o Romário faz em São Paulo eu assisto. Hoje é que eu não ia perder de jeito nenhum", disse Caiasso, "office-boy e romarista", como ele próprio se define.Bad boy, ótimo em campo péssimo fora dele. Será verdade? A dona de casa Estela Santos Menezes, de 56 anos, contrariando todas as previsões, queria o jogador como genro. "É rico, bonitão e conhecido no mundo todo. Ia querer mais o quê?", brincou.Numa festa em que o artilheiro se despedia, um dos maiores nomes do passado recente da seleção, a torcida guardava um espaço para reverenciar também aqueles que fazem o presente e são a esperança de futuro do futebol brasileiro. João Luciano de Oliveira tem só 8 anos, é a cara do Robinho (palavras de sua mãe, Regiane de Oliveira) e ontem viu pela primeira vez o craque santista de mais perto. "Ele nem sabe quem é o Romário, mas é só falar Robinho que os olhos dele brilham", contou a mãe.Primeira vez - Outro que veio reverenciar o ídolo foi Afonso Padilha, de 41 anos. Técnico de som, Padilha estava de passagem por São Paulo e resolveu vir ao Pacaembu para ver a festa do baixinho. Foi a primeira vez na sua vida que o mineiro de Eloi Mendes, no sul do Estado, comprou um ingresso e entrou num estádio para ver uma partida de futebol."Vim ver de perto a seleção pelo momento e pela propaganda em cima da festa de despedida", afirmou o botafoguense. "Gosto muito de futebol, assisto aos jogos do meu time, mas nunca vi um jogo de perto, como agora." Sobre o craque Romário, Padilha acredita que o mais marcante no atacante é sua personalidade. "Além do excelente futebol, o baixinho impressiona pela sua atitude, vai deixar uma marca", concluiu o mineiro.

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