Paulistas procuram centroavantes

Há vagas para a camisa 9. Os principais times de São Paulo iniciam a temporada de 2002 à procura de centroavante. O mercado atualmente não é generoso quando se trata de goleadores, daqueles jogadores de definição, pontos de referência no ataque. A saída, até agora, tem sido a de recorrer a pratas da casa ou a atletas que custem pouco. Ao mesmo tempo, nomes consagrados, como Romário, Oséas e Viola têm futuro incerto e tentam encaixar-se em algum time.O Palmeiras é um dos exemplos mais bem acabados da escassez de "matadores". A diretoria decidiu desfazer-se de Tuta, Fábio Jr., Edmílson, Donizete, após o fiasco no Brasileiro do ano passado, e apelou para Itamar. O reforço que veio do Iraty, via Goiás, está longe de ser o centroavante dos sonhos de uma torcida que, em passado recente, encantava-se no setor com atletas do calibre de Evair, Edílson, Edmundo ou mesmo Luizão e Oséas.Sem parceiro de peso para bancar investimentos, e com receio de pôr a mão no bolso, a diretoria palmeirense contenta-se com Itamar para formar dupla com o colombiano Muñoz. Como alternativas, há Thiago Gentil e Ricardo Boiadeiro, o que não arranca suspiros entusiasmados. O técnico Vanderlei Luxemburgo também deve apelar para juniores.Não é muito diferente a situação do São Paulo, que precisou devolver Luís Fabiano ao Rennes, clube francês ao qual o atacante está vinculado. Ao mesmo tempo, convive com a angústia de depender dos dólares da venda de França para o Bayer Leverkusen para equilibrar finanças, mas torce para que fique, pois seus gols são fundamentais.Para atenuar o empobrecimento na frente, Reinaldo veio do Flamengo e se tornou a principal alternativa para o técnico Nelsinho Baptista compor o ataque. Restam Dill, que não desencantou desde que retornou ao Brasil (estava no Servette, da Suíça), e Sandro Hiroshi, instável e sem passar confiança ao treinador."Não tenho dupla de área como no ano passado", reconhece Nelsinho, que emenda novo raciocínio, para evitar polêmica. "O Reinaldo até tem características semelhantes às do França. Mas não tenho um similar do Luís Fabiano, que jogue na área."O Santos vive também em constante sinuca. No fim do ano decidiu não renovar acordo com Viola, desgastado em sua segunda passagem pela Vila Belmiro. Marcelinho Carioca, que não é centroavante, mas faz seus golzinhos, igualmente foi embora. Com isso, o técnico Celso Roth recorre a Weldon, formado em casa, mas que ainda está longe de encher os olhos dos torcedores. O treinador sonha com a possibilidade de ter Oséas, que não é nenhum Coutinho, muito menos um Toninho Guerreiro, mas faz gols, preocupa zagas rivais.A Portuguesa não tem muito do que se queixar - e até que se vira bem em sua tradicional política de contenção de despesas. O treinador Candinho teve confirmada a permanência de Ricardo Oliveira. O atacante não é um "centroavante nato", para ficar em um lugar-comum do futebol, mas em 2001 deixou sua marca com regularidade nas redes adversárias. Agora, conta também com Reinaldo, cedido pelo São Paulo (junto com o zagueiro Rogério Pinheiro e o lateral Alemão) em troca de Émerson. Está dentro dos padrões do Canindé.

Agencia Estado,

11 de janeiro de 2002 | 19h02

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