JF Diório/Estadão
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Paulo André acredita que o movimento de jogadores ganhará mais adeptos

Zagueiro do Corinthians avisa que será formada uma comissão de atletas para conversar com a CBF

LEONARDO MAIA e PAULO FAVERO, O Estado de S. Paulo

25 de setembro de 2013 | 07h21

Os jogadores prometem promover uma revolução no futebol brasileiro. Considerados alienados por muitos, eles decidiram abandonar o rótulo e estão exigindo coletivamente uma reunião com a CBF para discutir o calendário de 2014, que prevê pouco tempo de pré-temporada para os clubes, o que geralmente faz com que o número de lesões aumente.

No total, 75 atletas dos principais clubes do País assinaram o manifesto que, entre outras coisas, cobra mudanças. “Devido ao curto período de preparação proposto e ao elevado número de jogos em sequência, decidimos nos reunir, de forma inédita e independente, para discutir melhorias em prol do futebol e da qualidade do espetáculo apresentado por nós a milhões de torcedores”, diz o texto.

Para o zagueiro Paulo André, do Corinthians, a união é o segredo do grupo. “Todos falavam da força que os atletas teriam se um dia se reunissem para fazer parte das decisões importantes do esporte e em pouco tempo já percebemos que isso é uma verdade. Acredito que o movimento ganhará adeptos, não só atletas, mas treinadores, preparadores e gestores interessados em melhorar o produto futebol no Brasil”, afirma. Ele ajudou a organizar o grupo, que conta com nomes como Rogério Ceni (São Paulo), Alexandre Pato (Corinthians), Alex (Coritiba) e Valdivia (Palmeiras), entre outros.

A principal intenção dos jogadores é propor soluções para o bem do espetáculo, sem tentar romper com entidades ou instituições. “É uma reação importante, necessária. Ela se apresenta de forma propositiva e agregadora, e reivindica melhorias para o futebol como um todo”, avisa Paulo André.

Segundo Rodrigo Paiva, diretor de comunicação da CBF, a entidade não recebeu nenhuma documentação dos atletas e por isso não vai se manifestar. Ele explica que primeiro a CBF precisa ser procurada para enfim poder marcar uma reunião. Segundo Paiva, o presidente José Maria Marin está disposto a conversar com os jogadores. A expectativa é que os atletas possam ser recebidos em breve na sede da CBF para discutir o calendário do próximo ano. “Vamos nos reunir e definir uma comissão e os próximos passos. Esse me parece o caminho correto”, conta Paulo André.

REPERCUSSÃO

Alfredo Sampaio, presidente em exercício da Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol, ficou magoado porque a entidade foi ignorada pelos jogadores, mas espera que eles tenham força para levar as reivindicações adiante. “Quero ver se o movimento vai ter fôlego e coragem. Uma coisa é a gente que representa a entidade negociar na mesa, outra é eles que atuam no dia a dia e terão de encarar os dirigentes. Se fizerem algo, vai ser histórico. A torcida é para que consigam, estamos do lado deles”, comenta.

Para Pedro Luiz Nunes Conceição, ex-diretor de futebol e conselheiro do Santos, o momento é propício para que os dirigentes entrem nesse movimento. “Não há mais dúvidas de que as mudanças são inevitáveis e o momento é agora. Os dirigentes de clubes continuam omissos e submissos aos poderes constituídos, como se tudo o que está ocorrendo nada tenha a ver com os clubes.”

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