Paysandu teme enxurrada de ações

Os advogados do Paysandu sabem que o clube paraense dificilmente conseguirá no Pleno do Superior Tribunal de Justiça (STJD) reverter a seu favor os quatro pontos tirados ontem pela 2a Comissão Disciplinar daquele tribunal e transferidos para Corinthians e Ponte Preta.Pior que a possibilidade de também perder outros quatro pontospara São Caetano e Fluminense- o que jogaria o Paysandu perto da zona de rebaixamento-, é a perspectiva de uma enxurrada de impugnações em novos jogos se o clube insistir em utilizar os jogadores Aldrovani, Borges Neto e Júnior Amorim, hoje tidos oficialmente como em situação irregular.Nesta quarta-feira, o presidente do STJD, Luiz Zveiter, admitiu a possibilidade de o vice-presidente do Paysandu, César Neves, assinar um novo contrato dos três jogadores para que eles, desta vez legalizados perante a CBF, possam atuar no restante do campeonato.Advogados do clube, porém, argumentam que se isso for feito seria o mesmo que admitir a ilegalidade na assinatura do contrato desses jogadores quando Tourinho estava suspenso por seis meses da presidência do Papão.Para os torcedores, isso pouco importa. O sentimento dedecepção com Tourinho é enorme. Muitos torcedores se sentem traídos e exigem a renúncia do presidente. "Como o Tourinho manda e desmanda no Paysandu e ninguém no clube teve acoragem de dizer que ele estava errado, deu nisso que a torcida tanto temia", disse o comerciante Elimar Ferreira.Definindo seus críticos como "urubus", o presidente saiu-se com uma frase de efeito sobre a insatisfação dos torcedores: "a hora que a torcida do Paysandu quiser eu saio, a hora que o Conselho Deliberativo quiser eu saio. O Paysandu não é meu".Não é o que mostram os fatos. Apesar de em sua gestão o clube ter alcançado aos maiores conquistas de seus 89 anos de existência, como o bicampeonato brasileiro da segunda divisão, a Copa dos Campeões, além de brilhante participação na Taça Libertadores da América, o Paysandu é governado com mão de ferro por seu presidente.Ele não confia em ninguém, centraliza todas as decisões e se nega a prestar contas dos recursos aplicados no clube.

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