'Peço desculpas ao Aranha. Peço perdão', diz torcedora

Patricia Moreira, de 23 anos, é acusada de atos racistas contra o goleiro do Santos: ela chamou o jogador de 'macaco' na Arena

Lucas Azevedo, Especial para O Estado de S.Paulo

05 Setembro 2014 | 12h37

A torcedora gremista Patrícia Moreira, de 23 anos, flagrada por câmeras de televisão xingando o goleiro Aranha, do Santos, na semana passada em partida contra o Grêmio, em Porto Alegre, pediu desculpas publicamente nesta tarde, em entrevista concedida pela primeira vez desde que usou a palavra 'macaco' para se referir ao jogador no estádio. "Peço desculpas ao Grêmio, ao tricolor. Peço desculpas ao Aranha, peço perdão. Perdão mesmo", declarou, muito emocionada, em um hotel na cidade Porto Alegre, onde mora.

Patrícia falou rapidamente com dezenas de repórteres antes de ser retirada da entrevista. Ela chorava muito a cada palavra proferida. Parecia assustado. Aos soluços, ela garantiu que não quis ofender ninguém com atos racistas. "Não foi racismo.Foi no calor do jogo. Peço desculpas ao Grêmio, ao Tricolor. Não quis nunca prejudicar o Grêmio. Peço desculpas ao Aranha, peço perdão. Perdão mesmo."

Não está descarto um encontro entre a moça e o goleiro do Santos, que seria promovido pelo advogado da torcedora gremista. Aranha tem sido protegido pelo Santos e evita comentar mais sobre o assunto.

Conforme disse seu advogado, Alexandre Rossato, é desejo da jovem se desculpar com Aranha pessoalmente. "O que ela mais quer é pedir desculpas pessoalmente ao goleiro do Santos." Segundo o defensor, sua cliente não é racista e se utilizou do termo "macaco" apenas para fazer um xingamento ao jogador adversário. "Macaco no contexto dentro do jogo de futebol não se torna racista, ainda mais sabendo da intenção dela. Isso se torna um xingamento apenas. O termo "macaco" é mais um usado dentro do futebol."

Rossato lamentou a exposição que sua cliente vem sofrendo desde o ocorrido e afirma que ela só não recebeu mais ameaças pelo fato de estar escondida, fora de casa. "Ela perdeu a vida, deixou tudo para trás. Por isso ela não esteja sofrendo mais ameaças, porque não está mais sendo localizada."

O advogado chamou de "julgamento público" o que a jovem vem passando desde que seu rosto foi identificado pelas imagens de tevê na Arena Grêmio. "Esse caso vai ser um marco para efetivamente terminar com o racismo no futebol brasileiro. Estaríamos sendo hipócritas punindo só a Patrícia. Ela infelizmente já foi julgada socialmente. O racismo está inserido na sociedade, infelizmente é um problema social e não podemos jogá-lo tão somente sobre essa menina."

Em nenhum momento desde que prestou depoimento na Polícia, Patrícia Moreira negou ter proferido a palavra 'macaco' para xingar o goleiro santista. Nesta sexta, ela pediu desculpas ao Grêmio também porque o clube foi excluído da Copa do Brasil pelo STJD, julgado nesta semana devido aos atos de racismo. A repercussão do ocorrido em Porto Alegre ganhou o mundo. A Fifa manifestou-se para dizer que o Brasil está dando exemplo ao mundo.

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