Monstagem/AFP
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Pela 1ª vez em onze anos, prêmio de melhor do mundo exclui Messi

Fifa anuncia os finalistas com Modric, Cristiano Ronaldo e Mohamed Salah

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2018 | 10h01

O eterno debate entre Lionel Messi e Cristiano Ronaldo pode nunca ter mais uma resposta. Depois de dez anos de um domínio completo da dupla na disputa pelo título do melhor jogador do mundo, o troféu da Fifa ameaça finalmente mudar de dono. Nesta segunda-feira, a entidade anunciou os três finalistas para a premiação The Best, o novo nome do título distribuído ao melhor do mundo.

De acordo com os resultados, a disputa pessoal entre o português e o argentino terminou. Concorrem ao prêmio o croata Luka Modric, o português Cristiano Ronaldo e Mohamed Salah.

Essa será a primeira vez em onze anos que Messi fica de fora do pódio, apesar de ter sido o maior artilheiro da Europa na temporada 2017-2018 e de ter levado mais um título do campeonato espanhol. Ele vinha ocupando o palco desde 2007, quando ficou em segundo lugar numa premiação que escolheu Kaká como o melhor do mundo. No total, ele ganhou o troféu em cinco ocasiões, recorde que compartilha com o português.

Neymar, que esperava fazer parte da lista, sequer foi selecionado para os dez melhores do ano depois de uma Copa do Mundo repleta de polêmicas e sem jogar no PSG por contusão. Se vencer, Cristiano Ronaldo se consolida com seis troféus e supera definitivamente o maior rival de sua carreira, Messi. Mas o português já não é mais considerado como favorito, nem mesmo pelos ex-jogadores que a Fifa chamou nesta segunda-feira para apresentar o prêmio.

A ameaça ao reinado de Messi e Cristiano Ronaldo já tinha mandado um alerta na semana passada. Ao escolher o melhor da Europa, a Uefa deu o prêmio para Luka Modric, também escolhido como o melhor jogador da Copa do Mundo.

O prêmio enfureceu o português e seus assessores, que chegaram a chamar o resultado de "ridículo". No fim de semana, porém, o croata foi homenageado no Santiago Bernabéu, enquanto a torcida do Real Madrid pedia que ele recebesse também o trofeu da Fifa de melhor do mundo.

Na pontuação da Uefa, porém, já tinha ficado claro que a realidade dos últimos dez anos poderia não mais sobreviver. Modric ficou com 90 pontos a mais que Cristiano Ronaldo. O terceiro lugar sequer foi para Messi e o pódio foi completo por Mo Salah. O quarto lugar foi para Antoine Griezmann, seguido só na quinta posição pelo astro argentino do Barcelona.

Mesmo na entidade máxima do futebol, Modric já passou a ser considerado como o favorito para o titulo da Fifa.

Cristiano Ronaldo não escondia que esperava ficar com o título de 2018, o que lhe permitiria superar Lionel Messi e se consolidar como o melhor. Na avaliação de seus assessores, seu desempenho na Liga dos Campeões era a garantia de mais um troféu individual.

A obsessão pelo sexto troféu levou o português a avisar, ainda no ano passado, que estaria de volta em Londres em 2018 para comemorar a taça que significaria, na visão de muitos, um ponto final na disputa pessoal que ele travou com Messi ao longo de uma década.

O Barcelona, que por tantos anos usou o prêmio da Fifa para provar ao mundo que tinha o melhor time com os maiores astros, agora esnobou a lista de finalistas. Numa mensagem colocadas nas redes sociais, o clube catalão insistiu que seu jogador merecia estar no topo. “Não existem dúvidas para os torcedores do Barça. Ele é o melhor. E ponto final”, declarou.

No Atlético de Madri, o tom também era de indignação diante da ausência de Antoine Griezmann da lista de finalistas. Para o clube, um prêmio que não coloca o atual campeão do mundo e eleito melhor jogador da final em sua lista não teria credibilidade. 

A presença de Salah, porém, foi considerada como um sinal claro de que a Premier League continua com mais visibilidade que La Liga.

Arrascaeta na briga pelo gol mais bonito

Cristiano Ronaldo, porém, concorre no titulo do gol mais bonito do ano. Ele disputa o título contra outros nove gols. Um deles foi o gol feito por De Arrascaeta, o uruguaio do Cruzeiro.

 

Entre as melhores jogadoras do mundo, Marta consegue uma vez mais chegar à final e disputa seu 7o troféu. Mas concorre contra as favoritas Ada Hegerberg e Dzsenifer Marozsán. 

A Fifa também divulgou a lista dos treinadores que concorrem ao prêmio. Entre os homens estão Zinedine Zidane, pela sua atuação ao levar o Real Madrid a mais uma Liga dos Campeões. O outro concorrente é o treinador da Croácia, Zlatko Dali?, vice-campeão do mundo e que operou um milagre ao assumir o time na última hora. O terceiro concorrente é Didier Deschamps, campeão do mundo pela França.

No futebol feminino, os finalistas incluem Reynald Pedros (Olympique Lyonnais); Asako Takakura (Japão) e Sarina Wiegman (Holanda). Vadão, que concorria, ficou de fora. 

A Fifa ainda criou um prêmio especial para o melhor goleiro do ano. Os finalistas são Thibaut Courtois, da seleção belga, Hugo Lloris, capitão da França, e dinamarquês Kasper Scheichel. Em 2017, Buffon ficou com o título. 

Para o prêmio da melhor torcida do mundo concorrem os milhares de peruanos que lotaram Moscou para ver sua seleção depois de 32 anos numa Copa do Mundo, o gesto dos japoneses e senegaleses que limparam os estádios depois de festejar e a torcida solitária de um chileno.  

O vencedor da Fifa será conhecido em um evento em Londres, no dia 24 de setembro. 

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